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Grupo nacionalista turco põe saco na cabeça de soldado dos EUA

Correligionários da União Jovem da Turquia (TGB) protestam em apoio à decisão do presidente Recep Tayyip Erdogan de expulsar dez embaixadores ocidentais, na capital Ancara, 25 de outubro de 2021 [ADEM ALTAN/AFP via Getty Images]

Membros do grupo nacionalista União Jovem da Turquia (TGB) cobriram a cabeça de um oficial dos Estados Unidos, com um saco de plástico, na cidade de Istambul, como retaliação por soldados turcos que foram detidos e vendados de forma semelhante no Iraque.

A entidade kemalista — ideologia que remete às origens da república turca — compartilhou uma imagem de um homem com um saco na cabeça, cercado por uma multidão.

Na legenda, referiu-se a “planos caóticos dos Estados Unidos e seus grupos por procuração, FETO [movimento Gülen] e PKK [Partido dos Trabalhadores do Curdistão] … que querem sitiar a Turquia”. Ambas as organizações são consideradas terroristas por Ancara.

Ao denunciar o “assassinato das nações oprimidas”, o TGB prometeu ainda que as “trombetas da América não ressoarão na Turquia!”

“Soldados americanos com sangue nas mãos poderão caminhar na Turquia”, acrescentou.

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A iniciativa do grupo foi descrita como retaliação por um incidente que ocorreu em 2003, então conhecido como “evento do capuz”. Após invadirem o Iraque, tropas dos Estados Unidos prenderam agentes especiais da Turquia que operavam no norte do país.

Os soldados turcos foram transferidos com capuzes sobre suas cabeças e permaneceram presos por ao menos 60 horas, até que protestos veementes da liderança turca — com destaque ao então premiê Recep Tayyip Erdogan — conseguiram assegurar sua liberdade.

Apesar de um pedido de desculpas de Washington, o caso tornou-se notório por afastar os países. Além disso, foi rechaçado pela opinião pública da Turquia, dado que as cabeças encobertas foram vistas como símbolo de desonra e humilhação.

Desde então, nacionalistas turcos frequentemente tentam “encapuzar” oficiais americanos.

Em 2014, membros do TGB cobriram as cabeças de tripulantes do navio USS Ross, que retornava de um exercício da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no Mar Negro.

Após o caso, dezessete membros do grupo foram detidos pela polícia de Istambul.

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