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Mourão sugere que Ernesto Araújo deve ser exonerado

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Agência Brasil
Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Agência Brasil

Nesta quarta-feira (27), o vice-presidente Hamilton Mourão sugeriu que o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, possa ser substituído depois das eleições da presidência da Câmara e do Senado, marcadas para segunda-feira, 1º de fevereiro. Sua declaração sinaliza a forma como o vice-presidente reorganizaria os ministérios caso assumisse o poder.

O ministro das Relações Exteriores tem sido criticado pela sua atuação problemática na articulação com a China para a liberação de insumos da vacina CoronaVac. Semana passada (20), o embaixador chinês, Yang Wanming, pressionou o governo brasileiro a demitir o ministro Araújo. Ele afirmou que os dois países sempre tiveram uma boa relação, mas que foi abalada pelos diversos insultos de Ernesto Araújo contra a China. Wanming disse também que com a China eles não conversam mais. A exoneração do ministro tem sido endossada entre militares e a ala pragmática do governo, eles defendem que a política externa deve adotar uma visão menos ideológica com a chegada de Joe Biden no governo dos Estados Unidos.

Ernesto Araújo também falhou na maneira como lidou com a crise de oxigênio em Manaus; não conseguiu a ajuda de Israel e dos Estados Unidos. Sendo a Venezuela, país com quem o governo de Bolsonaro rompeu relações diplomáticas, o único a enviar o apoio.

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Durante a entrevista à rádio Bandeirantes, Mourão afirmou não restar dúvidas da capacidade gerencial e visão estratégica de alguns ministros, mas indicou que esse não seria o caso do ministro das Relações Exteriores. Segundo ele, a mudança do ministério está na alçada do presidente, mas acredita que ele poderá ser substituído.

“Eu acho, julgo, não tenho bola de cristal para isso – nem esse assunto foi discutido comigo – que, num futuro próximo, após essa questão das eleições dos novos presidentes das duas Casas do Congresso, poderá ocorrer uma reorganização do governo para que seja acomodada a nova composição política que emergir deste processo”, disse Mourão. “Então, talvez, alguns ministros sejam trocados e, entre eles, o próprio ministro das Relações Exteriores. Então, prefiro aguardar. Até porque esse assunto não foi discutido comigo em nenhum momento, e tudo o que eu puder falar aqui será pura especulação”, completa.

Diante de críticas e especulações sobre a demissão do diplomata, Bolsonaro fez a sua live semanal com Araújo, na quinta-feira (21), onde o presidente manifestou seu apoio ao ministro e afirmou que não o demitirá; “Quem demite ministro sou eu”, disse.

Hoje (28), a colunista do Globo, Bela Megale, divulgou que o Itamaraty entrou em contato com diversos diplomatas para avisar que atrasará em até três meses o pagamento do aluguel de embaixadas e consulados brasileiros; o auxílio moradia de parte dos funcionários, as contas de luz, telefone e internet também vão atrasar. A falta de verbas aumenta o desgaste interno para o ministro, sendo criticado por ter falhado na administração financeira do Itamaraty.

Segundo o doutor em ciência política, Aldo Fornazieri, diplomata Ernesto Araújo é uma expressão da nova extrema direita, “que parte do pressuposto que o ocidente está em declínio, com a China e o mundo árabe sendo o principal antagonista desse mundo judaico-cristão ocidental”. Em vários textos, Araújo descreveu o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como salvador do Ocidente e se referiu ao novo coronavírus como “comunavírus”, sugerindo sem provas que a covid-19 teria sido desenvolvida pela China.

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