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Israel coloca diretor do Hospital Kamal Adwan, Dr. Hussam Abu Safiya, em confinamento solitário

11 de junho de 2026, às 07h20

As autoridades israelenses transferiram o Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, para confinamento solitário após mantê-lo detido por mais de 500 dias sem acusação formal.

Abu Safiya, de 53 anos, foi detido pelas forças israelenses em 27 de dezembro de 2024 enquanto trabalhava no Hospital Kamal Adwan, que continuou funcionando durante mais de 80 dias de cerco e repetidos ataques israelenses.

Segundo informações divulgadas inicialmente pelo jornal The Guardian, a organização Physicians for Human Rights Israel recebeu informações de que Abu Safiya foi transferido da prisão de Ketziot Prison para a prisão de Ramon Prison, parte do complexo prisional de Ganot, onde foi colocado em confinamento solitário. A organização afirmou não ter sido informada sobre o motivo da transferência.

Seu filho, Elyas Abu Safiya, também médico, expressou preocupação com a saúde do pai, afirmando que ele ainda necessita de uma cirurgia para remover estilhaços alojados em sua coxa esquerda desde o momento da detenção. Segundo ele, Abu Safiya continua sofrendo com dores e inchaço na área ferida.

Elyas relatou que a família foi informada de que Abu Safiya está agora em uma cela de isolamento “extremamente pequena, não maior que um metro por um metro”, com espaço insuficiente para se mover ou sentar adequadamente. Ele acrescentou que, nos primeiros meses de detenção, seu pai não teve permissão para trocar de roupa e desenvolveu problemas de pele sem tratamento.

Mais de 525 dias após sua prisão, Israel ainda não apresentou acusações formais contra Abu Safiya. Ele foi classificado como “combatente ilegal”, uma designação utilizada por Israel para justificar detenções prolongadas sem julgamento. Segundo relatos, mais de 375 profissionais de saúde também foram classificados sob a mesma categoria.

De acordo com Elyas, o único motivo aparente para a detenção de seu pai é “sua recusa em obedecer às ordens do exército israelense para evacuar o hospital e abandonar os pacientes à própria sorte”.

A organização PHRI tomou conhecimento da transferência após uma de suas advogadas visitar cinco médicos palestinos de Gaza detidos na prisão de Ketziot em 4 de junho. Quatro deles relataram que funcionários da prisão entraram na ala onde Abu Safiya estava detido, o algemaram e o levaram sem qualquer explicação.

Segundo as Regras de Nelson Mandela da ONU, confinamento solitário prolongado refere-se ao isolamento por mais de 15 dias consecutivos. Especialistas das Nações Unidas alertam que esse tipo de tratamento pode equivaler a tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante.

O advogado de Abu Safiya, Nasser Odeh, apresentou um recurso solicitando sua libertação. As autoridades israelenses responderam que ele está detido sob a lei dos “combatentes ilegais” e que os procedimentos relacionados ao caso estão sujeitos a sigilo judicial e ocorrem a portas fechadas.

Em março, especialistas da ONU pediram que Israel libertasse imediatamente Abu Safiya e garantisse seu acesso a exames e tratamento médico. Ele é um dos 14 médicos palestinos de Gaza atualmente detidos por Israel sem acusação formal. A PHRI também apresentou uma petição à Suprema Corte israelense solicitando a libertação desses profissionais.