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Colonos exploram a crise do coronavírus para tomar conta da Cisjordânia

Forças israelenses vigiam postos de controle durante a pandemia de coronavírus, antes da Oração de sexta-feira em Jerusalém, em 20 de março de 2020 [Mostafa Alkharouf / Agência Anadolu]
Forças israelenses vigiam postos de controle durante a pandemia de coronavírus, antes da Oração de sexta-feira em Jerusalém, em 20 de março de 2020 [Mostafa Alkharouf / Agência Anadolu]

A agressão dos colonos em relação aos palestinos não é amplamente abordada pela mídia, entre os quais o incidente aconteceu em “Metzoke Dragot”, perto do Mar Morto, onde os palestinos foram atacados e seus veículos incendiados por um grupo de colonos. No entanto, este foi apenas um dos múltiplos ataques físicos contra palestinos nas semanas anteriores, onde a agressão dos colonos aumentou drasticamente em todas as partes da Cisjordânia.

Desde o início da crise do coronavírus, a aão de colonos contra palestinos na Cisjordânia aumentou, apesar das restrições de movimento, fechamento e uma série de estritos bloqueios sociais. Nestes incidentes violentos, os colonos, alguns deles portando armas de fogo, agrediram os palestinos com a ajuda de paus, machados, armas de eletrochoque, pedras e ataques de cães. Os colonos também atacaram casas, queimaram carros, árvores e outras culturas foram vandalizadas e desarraigadas e animais roubados.

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Os colonos também assediam pastores palestinos no Vale do Jordão, perto dos assentamentos de “Rimonim” e “Kochav Hashahar”. Eles também pastam seu gado e ovelhas nos campos cultivados pelos palestinos. Esses atos rotineiros de assédio e vandalismo não são contabilizados.

Na maioria dos incidentes violentos cometidos por colonos, houve expulsão violenta de fazendeiros e pastores palestinos das pastagens e bloqueio do acesso a terras agrícolas. Os colonos também vandalizaram centenas de árvores: cerca de 240 oliveiras em terras pertencentes às aldeias de Turmusaya e al-Mughayir, 30 em Qaryut, 50 em Ras Karkar e centenas mais em terras pertencentes à vila de al-Khader.

Essas agressões fazem parte de uma estratégia dos colonos e das autoridades israelenses que visam sistematicamente bloquear o acesso dos palestinos à terra em que colhem ou pastam seus bovinos – um hectare, um campo por vez – e controlam essas terras. Dessa forma, o Estado transfere os meios de subsistência dos palestinos para as mãos de israelenses. A violência dos colonos é o braço não-oficial e privatizado do estado que serve para alcançar gradualmente esse objetivo.

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O apoio total do Estado a essa violência é evidente nas ações das forças de segurança israelenses no local. Cinco dos oito ataques a casas palestinas ocorreram na presença de soldados que permitiram que os colonos fizessem o que quisessem. Em pelo menos três incidentes, os soldados dispararam cartuchos de gás lacrimogêneo contra os moradores e prenderam alguns deles. Em outros três casos, os soldados chegaram com colonos saqueadores ou juntaram-se a eles no início do ataque. Incidentes semelhantes ocorreram, com soldados atirando balas de metal revestidas de borracha e botijões de gás lacrimogêneo contra os moradores.

Israel permite que os colonos ataquem os palestinos e danifiquem suas propriedades praticamente desimpedidas, por uma questão de política. Isso inclui o fornecimento de proteção militar para os atacantes e, em alguns casos, a participação ativa dos soldados no ataque. A polícia, por outro lado, evita aplicar a lei aos infratores. Esse comportamento policial faz parte da estratégia de Israel de dominar a Cisjordânia e seus recursos, incentivando a expropriação de palestinos em toda a Cisjordânia. O fato de que essa violência foi exacerbada durante uma pandemia global acrescenta outra camada de brutalidade à política de Israel, que derruba todas as leis e normas internacionais.

A ocupação e o coronavírus, duas ameaças aos palestinos. [Sabaaneh/ Monitor do Oriente Médio]

A ocupação e o coronavírus, duas ameaças aos palestinos. [Sabaaneh/ Monitor do Oriente Médio]

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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