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Ninguém pode negar os massacres de Israel, insiste premiê palestino

Primeiro-Ministro da Autoridade Palestina (AP) Mohammad Shtayyeh durante entrevista em Bruxelas, Bélgica, 11 de maio de 2022 [Dursun Aydemir/Agência Anadolu]

O povo palestino não pode negar o Holocausto; do mesmo modo, ninguém pode negar os massacres conduzidos contra os palestinos pelas autoridades israelenses, reafirmou nesta quarta-feira (17) o Primeiro-Ministro da Autoridade Palestina Mohammad Shtayyeh.

Os comentários de Shtayyeh sucedem uma onda de críticas ao presidente palestino Mahmoud Abbas – sobretudo de Israel e Alemanha – após o líder octogenário acusar o estado sionista de cometer “cinquenta massacres … cinquenta holocaustos” contra a população árabe.

Durante coletiva de imprensa junto do Chanceler da Alemanha Olaf Scholz, em Berlim, Abbas foi questionado se emitiria desculpas oficiais a Tel Aviv no 50° aniversário do atentado contra atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique.

Em resposta, declarou Abbas: “O exército israelense assassina palestinos diariamente. Desde 1947, Israel cometeu cinquenta massacres … cinquenta holocaustos”.

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Diante da controvérsia, destacou Shtayyeh: “Não negamos os massacres aos quais os judeus foram submetidos, não negamos o Holocausto. Contudo, ninguém pode negar os massacres cometidos contra o povo palestino”.

Shtayyeh reiterou que Abbas jamais negou o Holocausto em seus comentários, mas apenas pediu à comunidade internacional que não lave as mãos perante as violações israelenses na Palestina ocupada.

O premiê insistiu que Abbas enfrenta uma ofensiva sem precedentes de agentes públicos de Israel e grupos sionistas e denunciou a abordagem de “dois pesos e duas medidas” referente aos palestinos.

“Massacre é massacre não importa quem é a vítima; ocupação é ocupação não importa onde e quando; colonialismo é colonialismo em todas as suas formas”, prosseguiu Shtayyeh.

Na quarta-feira, Abbas tentou apaziguar sua declaração: “Reafirmo que o Holocausto é o crime mais hediondo cometido na história moderna”.

Segundo o Escritório Central de Estatísticas da Autoridade Palestina, durante a criação de Israel – evento conhecido em árabe como Nakba ou “catástrofe”, análogo ao termo hebraico Shoah –, gangues sionistas destruíram 531 aldeias palestinas e executaram ao menos 70 massacres, nos quais 15 palestinos nativos foram mortos.

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