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Polônia enfrentará meses de pressão migratória, alega ministro

Refugiados na fronteira polaco-bielorrussa; tropas polonesas tentam impedir sua passagem, em Grodno, Bielorrússia, 16 de novembro de 2021 [Stringer/Agência Anadolu]

A crise na fronteira polaco-bielorrussa deverá durar meses, alardeou nesta quarta-feira (17) o Ministro da Defesa da Polônia Mariusz Blaszczak, ao passo que milhares de refugiados permanecem presos na divisa oriental da União Europeia.

O bloco europeu acusa o presidente bielorrusso Alexander Lukashenko de conduzir uma “guerra híbrida” para chantagear seus estados-membros a revogar sanções de direitos humanos.

Nesta terça-feira (16), tropas de Varsóvia utilizaram canhões de água para dispersar pequenos grupos de refugiados que atiraram pedras contra a cerca fortificada de arame farpado.

Nove soldados poloneses ficaram feridos, segundo informações da agência Reuters.

Segundo a imprensa estatal bielorrussa (BELTA), guardas de fronteira começaram a transportar alguns imigrantes a um centro de recepção para além da conturbada área de confrontos.

Não obstante, fontes militares de ambos os lados confirmaram nesta quarta-feira que aproximadamente dois mil refugiados permanecem no local.

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A União Europeia acusa Lukashenko de canalizar ilegalmente milhares de imigrantes à região, sobretudo oriundos do Oriente Médio, com objetivo de castigar o bloco por sanções instituídas a Minsk, após forte repressão do regime a protestos por democracia.

A Bielorrússia nega as alegações, mas insiste que as sanções devem ser revogadas.

“Temos de nos preparar para o caso da situação na fronteira bielorrussa não se solucionar rapidamente”, declarou Blaszczak em entrevista matinal a uma emissora estatal de radiodifusão. “Temos de nos preparar para meses de tensão; espero que não sejam anos”.

Milhares de refugiados continuam acampados nas matas da região, ao passo que o inverno se aproxima. No presente impasse, não podem avançar à Polônia, tampouco retornar à Bielorrússia. Oito pessoas morreram desde o início da crise, em meados do ano.

A União Europeia pediu a Moscou para pressionar Lukashenko por uma solução da crise.

A Rússia declinou envolver-se diretamente, mas ofereceu agir como intermediário. Todavia, sugeriu ao bloco ocidental a contactar Minsk e solucionar suas divergências.

A Europa buscou isolar Lukashenko desde sua “reeleição” no ano passado, sob evidências de fraude. Entretanto, na segunda-feira (15), a chanceler alemã Angela Merkel telefonou ao presidente bielorrusso, para solicitar assistência aos refugiados na fronteira.

Enquanto isso, tropas russas e bielorrussas conduziram exercícios perto da região.

A Europa em um beco sem saída

Até então, a União Europeia prevaleceu ao lado do governo ultranacionalista polonês e sua política migratória linha-dura, por receios de que o episódio recente traga um fluxo incessante de requerentes de asilo aos países mais desenvolvidos.

Impedir a migração descontrolada tornou-se foco da organização desde 2015, quando mais de um milhão de pessoas  do Oriente Médio e África, impondo pressão aos sistemas de previdência social e segurança dos estados anfitriões.

A xenofobia, porém, incitou um surto de movimentos de extrema-direita no continente e além. Neste contexto, o Reino Unido deixou o bloco e Boris Johnson foi eleito premiê.

Diante da crise política, a União Europeia fortificou suas fronteiras externas e distribuiu recursos a países como a Turquia, para receberem refugiados em seu lugar, além de investir somas multimilionárias para obstruir rotas provenientes da Líbia, Tunísia e outros.

Grupos de direitos humanos denunciam as táticas restritivas europeias por agravar o sofrimento humano dos requerentes de asilo e desrespeitar seus direitos fundamentais.

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Na última segunda-feira, a polícia da Alemanha — um dos principais destinos dos refugiados na União Europeia — confirmou ter registrado 9.549 entradas ilegais a partir da Bielorrússia, através do território polonês, desde o início do ano.

Apenas 26 casos ocorreram janeiro e julho; até 1° de agosto, foram 474 incidentes; em setembro, 903 casos; em outubro, 5.285 ocorrências.

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