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Indústria de xisto dos EUA estuda punições à Arábia Saudita sobre guerra do petróleo

Moeda russa em um mercado de ações na capital Moscou, Rússia, 23 de março de 2020 [Sefa Karacan/Agência Anadolu]

Empresas de xisto betuminoso dos Estados Unidos reivindicaram uma série de medidas para repreender a Arábia Saudita sobre questões da chamada guerra nos preços de petróleo, incluindo negar à monarquia acesso à sua refinaria de petróleo em território americano, como parte de uma campanha agressiva de lobby contra Riad.

Segundo o Financial Times, a indústria de xisto americana, seriamente atingida pela guerra do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita, recrutou Rick Perry – ex-secretário de energia do Presidente dos Estados Unidos Donald Trump – para buscar penalizar as duas partes em conflito, embora empresas americanas possuam influência muito maior sobre Riad do que sobre Moscou.

Perry deve liderar os esforços da indústria de xisto em exigir que a Casa Branca considere suspender a assistência militar à Arábia Saudita e impedir que o petróleo cru saudita chegue à refinaria Motiva, em Port Arthur, Texas.

Com rendimento anual de mais de US$24 bilhões anuais, a refinaria de Port Arthur é a maior refinaria de petróleo na América do Norte sob pleno controle saudita, desde 2016. Riad também permanece exposta a reprimendas devido a seu acordo armamentício no valor de US$350 bilhões com Washington, frequentemente utilizado por legisladores americanos como instrumento para pressionar Riad.

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Embora ambas as alternativas estejam em consideração, negar acesso saudita à sua refinaria parece receber maior apoio. “A ideia que ganha mais tração é mirar em Motiva”, relatou um executivo de uma produtora de xisto ao Financial Times.

Segundo relatos, firmas de xisto dos Estados Unidos enfrentam uma crise de subsistência devido à queda no preço de petróleo desde o início de março, após a demanda global por petróleo cru desabar, como resultado da pandemia de coronavírus. Dado que a maioria dos produtores de xisto não recebem lucros com preços abaixo de US$50 por barril, o preço atual (US$20) levou companhias em atividade a declarar falência.

Os sauditas são acusados de exacerbar a crise em curso ao aumentar drasticamente sua produção, como parte de esforços do reino para aumentar sua participação no mercado global e vender seu produto a preços fora da realidade para prejudicar concorrentes, como a própria indústria de xisto americana.

O Presidente Trump – que costuma meramente pedir aos sauditas que mantenham os preços baixos – assumiu, no entanto, um tom mais grave e contundente, ao indicar um enviado especial a Riad para estabilizar os mercados de petróleo.

Trump também deve reunir-se com executivos da indústria petrolífera nesta sexta-feira (3), ocasião na qual deverá discutir estratégias caso Arábia Saudita e Rússia não cheguem rapidamente a um acordo para conter a superprodução.

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“O plano A é pôr Arábia Saudita e Rússia para conversar e cortar [excedentes]. Mas caso demore demais ou fracasse, o presidente recorrerá ao plano B – medidas protecionistas para conceder assistência a produtores domésticos”, afirmou Bob McNally, chefe da consultoria Rapidan Energy Group e ex-conselheiro da Casa Branca, conforme os relatos.

Analistas econômicos duvidam que qualquer um destes esforços efetivamente estabilize os mercados. “A escala do colapso na demanda de petróleo devido ao covid-19 é assombrosa e nada que os Estados Unidos sozinho possa fazer será capaz de contê-lo”, declarou Jason Bordoff, chefe do Centro de Estudos sobre Política Energética Global da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Estados Unidos.

Coronavírus e petróleo [cartum/Arabi21]

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