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Iraque oficializa pedido para retirada das tropas dos Estados Unidos posicionadas no país

Soldados americanos no Iraque [Exército dos Estados Unidos/Flickr]

Nesta sexta-feira (10), o governo do Iraque oficializou seu pedido para que Washington formule o mecanismo de retirada de suas tropas do país árabe.

A administração do primeiro-ministro em exercício Adil Abdul-Mahdi reiterou seu apelo para que o governo dos Estados Unidos envie representantes a Bagdá, a fim de estabelecer um plano de retirada segura das tropas americanas.

O pedido iraquiano foi feito durante telefonema entre Mahdi, chefe do governo provisório do Iraque, e Mike Pompeo, Secretário de Estado dos Estados Unidos.

Uma declaração emitida pelo Ministério de Relações Exteriores do Iraque indicou que os dois oficiais discutiram os acontecimentos recentes e a disposição de diversas partes para evitar uma escalada regional que possa levar a uma guerra em potencial.

Abdul-Mahdi declarou: “O Iraque rejeitou e ainda rejeita todas as operações que violam sua soberania, incluindo a recente operação [iraniana] que atingiu Ain Al-Assad e Erbil. As autoridades iraquianas realizam esforços contínuos e comunicam-se com todas as partes interessadas para evitar que o país se transforme em um campo de batalha.”

No último domingo (5), o parlamento iraquiano aprovou uma resolução requerendo o fim da presença militar estrangeira no país. Mais tarde, o governo anunciou que preparava as medidas legais e processuais para implementar a decisão.

A resolução foi aprovada após as mortes de Qasem Soleimani, comandante das Forças al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã, e Abu Mahdi Al-Muhandis, líder da organização paramilitar iraquiana Forças de Mobilização Popular (Hashd Al-Shaabi). As mortes foram resultado de um ataque aéreo americano perto do Aeroporto Internacional de Bagdá, em 3 de janeiro. A resolução parlamentar foi aprovada sob pressão de manifestantes iraquianos e proeminentes figuras políticas locais.

Mais de 5.000 soldados dos Estados Unidos estão posicionados hoje em bases militares por todo o Iraque, como parte da coalizão internacional de combate ao Daesh (Estado Islâmico).

LER: O ‘Grande Jogo’ em movimento: matar Soleimani reflete desespero dos Estados Unidos no Oriente Médio

Em seu telefonema com Pompeo, Abdul-Mahdi garantiu: “O Iraque está ansioso para manter a melhor das relações com seus vizinhos e amigos na comunidade internacional e para proteger seus representantes e interesses estrangeiros, além de nossos aliados.”

O primeiro-ministro em exercício ainda destacou: “As prioridades do Iraque, por um lado, limitam-se a combater o terrorismo, a violência, o Daesh, e implementar projetos de reconstrução; por outro, além de alcançar o devido crescimento econômico e proteger nossa independência, soberania e unidade nacional, o Iraque pretende apenas implementar segurança e estabilidade para si e para a região.”

Abdul-Mahdi informou Pompeo que ainda há forças americanas em processo de entrada no território iraquiano, além de drones dos Estados Unidos sobrevoando o espaço aéreo do país árabe, sem a devida autorização do governo local, o que representa uma violação dos acordos em voga. O secretário de estado americano prometeu acompanhar a questão e reafirmou o respeito dos Estados Unidos à soberania iraquiana.

Conforme a declaração, ambas as partes enfatizaram “a importância de preservar o desenvolvimento das relações entre os dois países.”

Na quarta-feira (8), o Irã lançou um ataque a míssil contra duas bases militares iraquianas que serviam de abrigo a soldados americanos, nas regiões oeste e norte do Iraque, em retaliação ao assassinato de Qasem Soleimani.

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