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Catar deve sediar negociações do acordo nuclear entre Irã e EUA

Ministro de Relações Exteriores do Irã Hossein Amir Abdollahian em Moscou, 15 de março de 2022 [Ministério de Relações Exteriores da Rússia/Agência Anadolu]
Ministro de Relações Exteriores do Irã Hossein Amir Abdollahian em Moscou, 15 de março de 2022 [Ministério de Relações Exteriores da Rússia/Agência Anadolu]

O Catar é o principal candidato a sediar conversas entre Irã e Estados Unidos, sob mediação da União Europeia, para cobrir as lacunas restantes do processo de restauração do acordo nuclear iraniano, assinado em 2015 e revogado três anos depois.

A agência de notícias Nour — filiada ao aparato de segurança do Irã — afirmou neste domingo (26), em sua página do Twitter, que Doha tem “melhor chance” de recepcionar as negociações do que seus vizinhos do Golfo, devido a seus “esforços consistentes para restaurar o diálogo e suspender as sanções”.

Neste sábado (25), Irã e Estados Unidos concordaram em romper um impasse de três meses nas conversas de Viena, após Josep Borrell — chefe de política externa da União Europeia — encontrar-se em Teerã com Hossein Amir Abdollahian e Ali Shamkani — respectivamente, Ministro de Relações Exteriores e chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

Após a maratona de encontros, o chefe da diplomacia europeia declarou que a próxima rodada de negociações será realizada em breve, em algum estado do Golfo, sob uma estrutura distinta daquela adotada na capital austríaca.

As conversas a seguir, insistiu Borrell, serão conduzidas por Washington e Teerã, sob mediação europeia. Segundo seu relato, os aspectos econômicos e nucleares do acordo serão abordados, dado que restam apenas “divergências políticas” entre as partes.

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“No entanto, ainda não sei se ambos serão capazes de superar seus respectivos obstáculos políticos”, acrescentou.

As conversas foram paralisadas devido à insistência iraniana de que os Estados Unidos retirem sua Guarda Revolucionária e entes relacionados da lista de organizações terroristas promovida por Washington. Teerã também quer garantias de que um futuro governo americano não volte a abandonar o acordo.

Borrell não identificou o país-anfitrião tampouco especificou a data das negociações. Especulações apontam para Omã ou Catar, ambos aliados da república islâmica.

Em maio, o emir catariano Tamim bin Hamad al-Thani visitou Teraã e encontrou-se com o presidente iraniano Ebrahim Raisi. Dentre a pauta, esteve as negociações nucleares.

Em coletiva de imprensa, al-Thani afirmou que Doha “sempre teve uma visão positiva” sobre as conversas em Viena, como único meio possível para restaurar o tratado.

A visita instigou rumores sobre esforços catarianos para superar o impasse e liberar recursos iranianos ainda congelados no exterior. De fato, a chegada de al-Thani sucedeu em somente um dia a chegada de Enrique Mora, vice de Borrell, na cidade de Teerã.

O governo iraniano, no entanto, não confirmou até então a participação do Catar nas negociações.

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