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Congressista de Nova York Jamaal Bowman retira apoio a acordos de Abraão

O congressista americano Jamaal Bowman, em 23 de junho de 2020, em Nova Iorque, EUA [Stephanie Keith/Getty Images]
O congressista americano Jamaal Bowman, em 23 de junho de 2020, em Nova Iorque, EUA [Stephanie Keith/Getty Images]

O congressista de Nova York Jamal Bowman planeja retirar seu apoio e votar contra a legislação bipartidária destinada a fortalecer e expandir os Acordos de Abraão, segundo uma carta enviada aos eleitores na terça-feira (15) à noite e divulgada pelos sites Jewish Currents e Jewish Insider. 

O projeto de lei em questão, intitulado “Lei de Normalização das Relações Israelenses”, é apoiado por grupos de lobby israelenses.  A legislação orienta o Departamento de Estado a delinear publicamente uma estratégia para fortalecer os acordos de normalização, conhecidos como Acordos de Abraão, que foram forjados durante o último ano da administração Trump, e que estabelecem relações diplomáticas e comerciais oficiais entre Israel e os países do Sudão, Bahrein, Marrocos e os Emirados Árabes Unidos. A lei tem 328 co-patrocinadores da Câmara (não incluindo Bowman), são 162 Democratas e 166 Republicanos, e 72 no Senado.

Em viagem patrocinada pelo grupo lobbista J Street, Bowman visitou Israel e os territórios palestinos ocupados no final de 2021, encontrando-se com líderes israelenses e palestinos. Na carta aos eleitores, o congressista escreveu que, embora originalmente apoiasse a legislação porque a via “como uma oportunidade de fazer progresso em direção à justiça e à cura no Oriente Médio, bem como um caminho para uma solução de dois Estados”, sua recente viagem o convenceu do contrário. “Minha experiência no local e minhas conversas posteriores com os constituintes me levaram a ver que não é o passo certo para cumprir estes objetivos”, escreveu ele. “Além disso, tomei consciência de que os acordos que este projeto de lei apoia e procura perseguir, incluíram acordos em desacordo com os direitos humanos e a segurança para as pessoas comuns da região”.

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De acordo com o Jewish Insider,  Bowman “tomou consciência” de que, em conexão com os Acordos de Abraão, os EUA concordaram em reconhecer a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental e discutir a venda de armamento avançado, incluindo jatos de caça F-35, aos Emirados Árabes Unidos. O negócio do F-35 está atualmente em espera.

“No final, é minha estimativa que estas ações só agravarão a violência no Oriente Médio e tornarão as comunidades já vulneráveis menos seguras”, disse Bowman. “Este acordo para normalizar as relações isola inutilmente a Palestina e o Saara Ocidental quando o que precisamos é de um processo que os envolva”.

No ano passado, ele co-patrocinou a lei da democrata Betty McCollum para impedir que a ajuda dos EUA fosse usada pelo exército de Israel para perpetrar certas violações dos direitos humanos contra os palestinos, e juntou-se a um esforço liderado por Alexandria Ocasio-Cortez e outros progressistas para bloquear a venda de US$ 735 milhões em bombas a Israel durante seu ataque a Gaza em maio. Entretanto, em setembro, Bowman votou a favor do envio de mais de um bilhão de dólares a Israel em ajuda militar para financiar o sistema antimísseis “Cúpula de Ferro”.

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