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Holanda deixa de financiar ONG palestina

Palestinos exortam a ONU a reverter a decisão de Israel de colocar ONGs em lista restrira, em 10 de novembro de 2021 em Gaza [Mohammed Asad/Monitor do Oriente Médio]

A Holanda parou de financiar a União dos Comitês de Trabalho Agrícola (UAWC, na sigla em inglês), uma das seis organizações palestinas de direitos humanos designadas como “terroristas” por Israel no ano passado. Segundo o então ministro da Defesa israelense Benny Gantz, as organizações recebem ordens da Frente Popular de Libertação da Palestina, também designada como entidade “terrorista” pelo Estado do apartheid por sua resistência à ocupação.

A decisão do governo holandês ocorreu apesar de uma análise externa não mostrar evidências de fluxos financeiros entre a UAWC e a PFLP. Em uma carta conjunta do ministro das Relações Exteriores Ben Knapen e do ministro do Comércio Exterior Tom de Brujin, eles reconhecem que “nenhuma prova foi encontrada de unidade organizacional entre a UAWC e a FPLP ou de a FPLP fornecer orientações à UAWC”.

No entanto, de acordo com o Times of Israel, eles identificaram alguma sobreposição entre os membros das duas organizações. “Houve laços em nível individual entre a equipe da UAWC e os membros do conselho e a FPLP por um tempo considerável”, escreveram os ministros holandeses. “O grande número de membros do conselho da UAWC com funções em ambas as organizações é motivo de preocupação especial”.

A UAWC, que trabalha com pequenos agricultores e recebe apoio financeiro da Holanda desde 2007, condenou a decisão de encerrar o financiamento. “Estamos chocados que o governo holandês encerrou seu financiamento para uma importante organização da sociedade civil palestina […] com base em supostas ligações individuais”, disse o documento, acrescentando que a investigação continha imprecisões factuais.

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O Ministério das Relações Exteriores de Israel se recusou a comentar sobre o fracasso dos investigadores holandeses em encontrar evidências para apoiar as outras alegações de Israel sobre a ONG, mas elogiou a decisão de financiamento como “importante e louvável”. O ministério observou que “Israel continuará seu diálogo com a Holanda e outros países a respeito dessas organizações, cujo apoio constitui uma violação da lei israelense”.

O diretor da UAWC, Fouad Abu Saif, expressou sua surpresa pelo corte do financiamento e negou que qualquer funcionário esteja vinculado à FPLP. “”Com essa decisão, a Holanda está cedendo à propaganda e pressão israelense”, explicou. “Os funcionários não devem ser membros ou ativos em nenhum grupo político. Nós, como organização, não podemos e não devemos verificar se as pessoas têm simpatias políticas.”

A designação das seis ONGs gerou uma grande reação negativa na Europa e nos Estados Unidos e foi condenada por uma alta funcionária da ONU. “[Este é] um ataque aos defensores dos direitos humanos, às liberdades de associação, à opinião e à expressão e ao direito à participação pública”, disse a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Ela destacou que as organizações designadas como grupos terroristas “são alguns dos grupos humanitários e de direitos humanos mais respeitados no território palestino ocupado e, por décadas, trabalharam em estreita colaboração com a ONU”.

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