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Ben & Jerry’s comete ‘nova forma de terrorismo’ contra Israel, alega presidente

Israel repudia decisão da empresa Ben & Jerry’s sobre os territórios palestinos ocupados

A decisão da Ben & Jerry’s de encerrar suas vendas nos territórios palestinos ocupados foi acolhida por muitos apoiadores da causa palestina. Entretanto, o governo de Israel rechaçou a medida, ao descrevê-la como “nova forma de terrorismo” contra o estado sionista.

A postura israelense foi ironizada, todavia, como uma reação histriônica da ocupação.

O recém-empossado Presidente de Israel Isaac Herzog, líder do Partido Trabalhista, supostamente moderado, juntou-se ao coro indignado das forças coloniais.

“O boicote é uma nova forma de terrorismo econômico”, afirmou Herzog, segundo o Haaretz, durante uma homenagem a líderes falecidos. “O terrorismo busca afetar nossa economia e nossos cidadãos. Devemos nos opor ao terrorismo e ao boicote, não importa como”.

Após o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) declarar ilegal o Muro do Apartheid, construído por Israel na Cisjordânia ocupada, grupos da sociedade civil palestina fundaram o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), em meados de 2005.

Desde então, o BDS cresceu gradativamente, sobretudo à medida que o status de Israel como regime de apartheid tornou-se de fato incontestável por uma série de relatórios e dossiês divulgados por proeminentes organizações locais e internacionais.

LEIA: Não ignorem a luta palestina

Em abril, o Human Rights Watch (HRW) juntou-se a outras organizações para reiterar que Israel comete crimes de apartheid e perseguição contra o povo palestino.

Ainda antes, a ong israelense B’Tselem denunciou Israel como “estado de apartheid … que promove e perpetua uma supremacia judaica entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão”.

Na ocasião, em consonância com um relatório da ONU de 2017, que atestou o apartheid israelense, a B’Tselem descartou a falácia de que o estado colonial representa uma democracia dentro da Linha Verde — isto é, das fronteiras estabelecidas pelo armistício de 1949.

Em artigo publicado no último mês, dois ex-embaixadores israelenses à África do Sul também corroboraram a tese de “estado de apartheid”, ao apontar paralelos entre o sistema de segregação racial sul-africano, abolido em 1994, e as políticas coloniais sionistas.

A mensagem foi acolhida ainda por judeus americanos, um quarto dos quais reconhece a existência do apartheid israelense, conforme pesquisa recente.

A declaração de Herzog, que associa o protesto legítimo contra a ocupação a conceitos de “terrorismo”, demonstra a preocupação israelense sobre os avanços internacionais da campanha de BDS, argumentam observadores.

Na segunda-feira (19), o chanceler Yair Lapid somou críticas exasperadas à decisão, ao acusar a popular rede de sorveterias de “render-se ao antissemitismo” e exortar trinta estados dos Estados Unidos — que aprovaram leis anti-BDS — a agir contra a marca.

Alguns de seus seguidores no Twitter, não obstante, sugeriram que as demandas do ministro israelense a Washington, em detrimento das liberdades de expressão e mobilização civil, ratificam uma imagem negativa para a ocupação.

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