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Reino Unido recusa-se a cessar venda de armas à Arábia Saudita, ao contrário dos EUA

Ativistas de direitos humanos protestam contra a venda de armas do Reino Unido à Arábia Saudita, em Londres, 11 de julho de 2016 [Campanha Contra o Comércio de Armas/Flickr]
Ativistas de direitos humanos protestam contra a venda de armas do Reino Unido à Arábia Saudita, em Londres, 11 de julho de 2016 [Campanha Contra o Comércio de Armas/Flickr]

O governo do Reino Unido recusou apelos para interromper a venda de armas à Arábia Saudita, o que aproximaria sua política aos Estados Unidos, seu maior aliado internacional.

Em uma das maiores reviravoltas em relação à era Trump, o atual presidente americano Joe Biden decidiu suspender a venda de armas a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, devido a violações de direitos humanos e crimes de guerra no Iêmen.

Tobias Ellwood, líder conservador no Comitê de Defesa na Câmara dos Comuns, exortou Londres nesta segunda-feira (8) a “alinhar-se plenamente com seu maior aliado de segurança e dar fim às exportações de armas ligadas à guerra”.

Prosseguiu: “O reposicionamento americano deve ser acolhido e nos impõe um enorme teste fundamental, isto é, o que representa na prática o Reino Unido em âmbito global”.

Ellwood descreveu a suspensão da venda de armas americanas a Riad como necessária para criar condições para instituir negociações de paz.

Entretanto, o Ministro de Estado do Reino Unido para Oriente Médio e Norte da África James Cleverly, rejeitou os apelos humanitários. “As decisões que os Estados Unidos tomam sobre a venda de armas cabem somente a eles”, declarou.

“O Reino Unido considera suas próprias responsabilidades sobre exportações de armas com grande seriedade e continuaremos a analisar todas as licenças para exportações de armas conforme nosso rigoroso critério”, argumentou o ministro britânico.

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Cleverly alegou ainda que as licenças para venda de armas são emitidas com enorme cautela para garantir que não decorra em crimes perante a lei internacional.

Lisa Nandy, Secretária de Relações Exteriores para o governo paralelo, afirmou que a gestão do Primeiro-Ministro Boris Johnson é conivente com a guerra saudita no Iêmen.

“O comércio de armas e o apoio técnico do Reino Unido sustentam a guerra no Iêmen … a decisão dos Estados Unidos sobre a venda de armas nos afasta perigosamente de nossos aliados e agrava nosso isolamento”, declarou Nandy.

A parlamentar britânica também questionou a habilidade de Londres de conduzir seu papel de mediação e negociação na ONU, ao insistir na venda de armas a Riad.

“O Reino Unido não pode ser, ao mesmo tempo, agente da paz e traficante de armas, neste conflito”, reiterou Nandy sobre as contradições na política externa do governo conservador.

Quarenta por cento das exportações de armas do Reino Unido foram destinadas à Arábia Saudita, entre 2010 e 2019.

Segundo a Campanha Contra o Comércio de Armas (CAAT), £11 bilhões ($15.5 bilhões) em armas britânicas foram vendidas a Riad, desde 2008. O maior aumento nas exportações militares foi em 2015, logo no início da intervenção saudita no Iêmen.

As devastadoras consequências da guerra incitaram questões sobre o papel britânico na pior crise humanitária do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, como é descrita a atual situação no território iemenita pela Organização das Nações Unidas.

Perante a insistência na venda de armas aos estados do Golfo, considerada ilegal devido aos crimes de guerra cometidos com armas britânicas, grupos de direitos humanos decidiram contestar o governo conservador judicialmente.

Em 2019, uma corte determinou que as exportações militares do Reino Unido à Arábia Saudita são de fato ilegais. Londres então supostamente endureceu critérios para deferir licenças de exportação aos estados do Golfo, porém, sem interromper a venda.

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