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Chanceler do Líbano pede segredo sobre inquérito do Banco Central

Banco Central do Líbano [Karan Jain/Flickr]
Banco Central do Líbano [Karan Jain/Flickr]

Nesta segunda-feira (25), Charbel Wehbe, Ministro de Relações Exteriores do Líbano, em exercício, pediu segredo ao governo da Suíça sobre as investigações do país europeu contra o governador do Banco Central, em Beirute.

O apelo do atual chanceler foi feito em reunião com Monika Schmutz Kirgoz, embaixadora suíça no país árabe, segundo informações da rede Arab News.

A diplomata recusou-se a comentar a questão, mas reiterou a Wehbe que o inquérito está sob jurisdição do Ministério da Justiça e da Procuradoria Geral da Suíça.

“Apesar da importância da matéria para o público libanês, o segredo absoluto é necessário em resposta ao que circula hoje na imprensa”, declarou Wehbe. “Espero que o judiciário libanês tenha absoluta liberdade para assumir uma decisão apropriada sobre o caso”.

O chanceler reverberou um discurso no qual imputa responsabilidade por crises públicas ao jornalismo, ao exortar as agências de imprensa a “reportar as notícias como são, sem interpretação, adendos ou troca de palavras”.

As súplicas de Wehbe sucedem uma solicitação do judiciário suíço por assistência do Líbano nas investigações sobre Riad Salameh, governador do Banco Central do país. O economista de 70 anos de idade é acusado de desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

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A investigação foi lançada a pedido do próprio governo libanês, que busca averiguar relatos de que bilhões de dólares deixaram o país apesar de uma proibição imposta sobre transferência de dinheiro ao exterior.

O inquérito deverá concentrar-se nos US$400 milhões em transferências internacionais supostamente feitas por Salameh e associados. As autoridades suíças ainda não confirmaram se o governador é alvo específico da operação.

Salameh, que preside o Banco Central do Líbano desde 1993, negou os crimes. Em nota emitida pela instituição, na última semana, o governador descreveu as acusações “em seu nome, de seu irmão ou de seu assistente” como “fake news”.

Ainda ontem, Salameh reiterou que as notícias e os valores divulgados nas redes sociais sobre desvio de recursos públicos são “exagerados”, segundo informações da rede AFP.

Salameh alegou que as denúncias “pretendem sistematicamente manchar a imagem do Banco Central e de seu governador” e ofereceu viajar à Suíça para defender-se no caso.

Em agosto de 2020, Salameh foi denunciado por cometer uma série de delitos em um relatório emitido pelo Projeto de Reportagem sobre Corrupção e Crime Organizado (OCCRP) e seu parceiro libanês Daraj.

O relatório reportou que o governador e sua família possuem US$100 milhões em recursos espalhados pelo mundo, incluindo bens imobiliários na Alemanha, Bélgica e Grã Bretanha, além de utilizarem companhias de fachada para acumular fortuna de modo ilegal.

Salameh também é duramente criticado por sua postura diante da grave crise financeira do Líbano, considerada a pior desde a guerra civil, entre 1975 e 1990. O atual colapso fiscal devastou a moeda nacional, com queda de mais de 80% em seu valor.

Hassan Diab, primeiro-ministro em exercício, culpa publicamente Salameh pela crise, mas o governador insiste em defender seu histórico no cargo.

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