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Com todas as diferenças, nos unimos pela Palestina

Entrevista com o deputado de El Salvador Jorge Schafik Hándal
Deputado Jorge Schafik Hándal [Foto arquivo pessoal]
Deputado Jorge Schafik Hándal [Foto arquivo pessoal]

El Salvador é o terceiro país que mais tem palestinos fora da Palestina, ficando atrás apenas do Chile e Honduras. A imigração palestina no país começou no final do século XIX, entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial.

A presença política da comunidade é forte, não necessariamente como um movimento ativista, mas com lideranças na sociedade. El Salvador já teve três presidentes de origem palestina, contando com o atual presidente e muitos deputados. Também no campo econômico, os palestinos tem grande presença e interesses econômicos.

Embora a política em El Salvador seja dominada pela direita e com fortes laços comerciais e diplomáticos com Israel, o deputado deputado Jorge Hándal explica, nesta em entrevista concedida ao Monitor do Oriente Médio, que há um fator de união: a defesa da soberania palestina.

Como se formou a comunidade palestina em El Salvador?

Houve uma época em que os generais de descendência árabe tiveram que esconder sua origem. Em 1930 quando assumiu o general Martínez, ditador que ficou no poder por cerca de 13 anos, proibiu por constituição que não podia mais entrar no país pessoas árabes e negras. Então os árabes, de qualquer origem, palestino, sírio, libanês, ocultaram sua identidade. Após a queda dos tiranos, em 1945, começaram a reunir-se e a retomar a identidade palestina. Em outros países, a identidade árabe ou palestina é muito evidente, forte e tem muitas tradições. Em El Salvador isso avançou muito lentamente, pelo motivo político daquele período. Hoje temos clube palestino, no entanto, na política somos bastante divididos, porém, no tema Palestina, nos unimos todos, direita e esquerda.

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Como é a relação das lideranças da comunidade com a causa palestina? E com Israel?

Pela causa palestina nos unimos todos, com nossas diferenças, por exemplo, defendemos soberania para toda a Palestina. Na relação com Israel, aí entram interesses econômicos de algumas famílias descendentes de palestinos e que tem negócios com Israel, principalmente com israelitas, então o tema econômico é variante. Pela Palestina, sua identidade e sua independência todos nos unimo

Aqui existem muitas obras que levam o nome da Palestina, temos a Praça Palestina, Praça Yasser Arafat e agora se celebra o dia da Palestina. Estamos reunindo fundos para fazer um monumento em solidariedade com a Palestina e um ato público. Aqueles que tem relações econômicas com Israel não participam, mas dão dinheiro para o monumento, essa é a situação que existe aqui.

O pai do atual presidente (Nayib Bukele) foi abertamente antissionista, porém seu filho, que é o presidente, não é antissionista, é apoiador de Israel.

No passado, a embaixada de El Salvador foi mudada para Jerusalém, depois retornou a Telaviv, qual é atual situação?

Paco Flores, ex-presidente pelo partido ARENA (governou de 1999 a 2004), havia levado a embaixada para Jerusalém e Antônio Saca (governou de 2004 a 2009), quando foi presidente retirou a embaixada de Jerusalém. Principalmente como um gesto de desagravo em favor da comunidade palestina. Fomos nós, do FLMN, que abrimos as relações diplomáticas com a Palestina. Atualmente, Bukele não pensa em retornar a embaixada à Jerusalém.

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Existe pressão da comunidade contra as relações comerciais e diplomáticas de Israel e El Salvador?

Não há, pois existem muitos interesses de negócios e aqui as principais lideranças da comunidade palestina são grandes empresários e na grande maioria de direita. Essas lideranças colocaram acima dos interesses patrióticos e nacionalistas os interesses econômicos. O que prevalece são os interesses econômicos.

Como é a resistência?

Existe um forte movimento de solidariedade dos povos em luta. Há um movimento antissionista de salvadorenhos antissionistas. Os palestinos se respaldam com esse movimento de solidariedade. É um movimento pequeno, porém tem força e sempre está em atividades. E pela origem de sua família, atual presidente, apesar de ser um oportunista, trata de cuidar de sua imagem. Se não está abertamente com a Palestina, também não ataca. Tem uma mescla de estar com Israel e não atacar o movimento de solidariedade ao povo palestino, por sua origem. Quem leva a luta aqui é fundamentalmente o movimento salvadorenho de solidariedade com os povos em luta.

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