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Emirados financiam mercenários russos na Líbia, afirma Estados Unidos

Soldados do grupo de mercenários russos Wagner [foto de arquivo]
Soldados do grupo de mercenários russos Wagner [foto de arquivo]

O Departamento de Estado dos Estados Unidos sugeriu que os Emirados Árabes Unidos estão financiando o grupo de mercenários Wagner em sua operação militar na Líbia. O relatório do Pentágono pode impactar gravemente as relações entre Washington e o estado do Golfo.

“A Agência de Inteligência de Defesa [DIA] avaliou que os Emirados Árabes Unidos provavelmente estão fornecendo recursos às operações do grupo Wagner”, declarou o inspetor-geral do Pentágono.

Embora não seja uma condenação direta, a análise representa a primeira avaliação oficial do Departamento de Defesa sobre o papel dos Emirados em financiar e viabilizar as operações da empresa russa em território líbio.

Segundo relatos, o grupo Wagner é gerenciado por Yevgeny Prigozhin, aliado do Presidente da Rússia Vladimir Putin. A companhia militar está envolvida em conflitos de diversos países, como Ucrânia, Síria, Sudão e República Centro-Africana.

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Na Líbia, os mercenários Wagner apoiam efetivamente o general renegado Khalifa Haftar contra o governo oficial, sediado na capital Trípoli. Há acusações de que o grupo russo é responsável por uma série de atrocidades contra civis.

As alegações incluem a instalação de minas terrestres em áreas civis, à medida que forças de Haftar foram forçadas a recuar no último verão.

O uso de mercenários na Líbia, ao invés de presença direta de tropas russas, concede a Moscou – e Abu Dhabi – uma imagem de contestação plausível.

A terceirização do envolvimento militar russo na guerra civil na Líbia levou o Departamento de Estado dos Estados Unidos a descrever o grupo Wagner como “subordinado do Ministério de Defesa da Rússia.”

Prevalecem dúvidas sobre financiamento de Moscou ou outros estados ao grupo Wagner, ou mesmo se a empresa age de fato em nome da política externa da Rússia.

O relatório do Pentágono, porém, confirma o que muitos já suspeitavam: os Emirados Árabes Unidos estão investindo no grupo para ajudar o aliado Haftar em sua guerra contra o Governo de União Nacional, reconhecido pela ONU e apoiado pela Turquia.

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A razão pela qual Washington começa apenas agora a debater o envolvimento emiradense na Líbia repousa provavelmente sobre sua relação com Abu Dhabi.

Segundo Douglas Wise, ex-diretor adjunto da DIA, o documento do Pentágono é uma forma menos formal do que uma nota diplomática ou comunicado de imprensa da Casa Branca, a fim de constranger e repreender os Emirados por seu comportamento.

“Isso faz com que os Emirados saibam que sabemos”, destacou Wise.

Outra possível razão está na aliança do governo do atual presidente americano cDonald Trump com o governo emiradense, de modo a não prejudicar os esforços da Casa Branca para normalizar relações entre Israel e o estado do Golfo, em agosto último.

Diante do fim do mandato de Trump, há maior espaço de manobra.

Segundo a rede Foreign Policy, Frederic Wehrey, associado do think tank Fundo Carnegie para Paz Internacional, argumentou que previamente já era notória a coordenação militar entre Abu Dhabi e o grupo Wagner.

“O financiamento, porém, é apenas mais outro indício de colaboração emiradense. Agora, parece haver presença permanente da Rússia neste flanco da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], viabilizada por um aliado dos Estados Unidos”, concluiu Wehrey.

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