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Liberalismo e o novo governo jordaniano!

Rei Abdullah II da Jordânia, em Tóquio em 27 de novembro de 2018 [David Mareuil/ Agência Anadolu]
Rei Abdullah II da Jordânia, em Tóquio em 27 de novembro de 2018 [David Mareuil/ Agência Anadolu]

Nos últimos dias, a Jordânia formou o Governo nº 105, dos sucessivos governos de 43 primeiros-ministros em cem anos de vida do país.

dólares, elevando o total para quase 44 bilhões de dólares. Quando o governo Razzaz assumiu, em 2018, havia fortes manifestações nas ruas e clamor por reformas, devido à piora das condições econômicas e ao aumento das taxas de desemprego. O ex-presidente prometeu fazer reformas políticas e econômicas, mas não obteve nenhum sucesso.

Os governos árabes em geral têm uma posição clara sobre a democracia. A Jordânia não está em melhor situação. Há uma margem de poucas liberdades, mas a democracia ainda tira o sono das autoridades. Na Jordânia, o assunto não está relacionado ao primeiro-ministro. Alguns deles são pessoas famosas a nível local, regional ou internacional, como o ex-primeiro-ministro, o juiz internacional Awn Al-Khasawneh, que assumiu as funções de primeiro-ministro em 2011 e não permaneceu em seu cargo exceto por alguns meses, quando apresentou sua renúncia ao rei do país devido à ausência de autonomia e existência de vários obstáculos na execução dos trabalhos.

A segurança social e a segurança do Estado não são as mais importantes na Jordânia. As agências governamentais trabalham apenas pela segurança do sistema, pouco se importando com a classe trabalhadora, isto sem contar com a ausência de liberdade.

A ausência de autonomia, mesmo que exista constitucionalmente, não passa de um slogan para servir ao sistema. A Câmara dos Deputados, que é descrita como frágil e fraca, nas palavras do Dr. Abdul Karim Al-Daghmi, ex-político e parlamentar por mais de 4 mandados e que, em 2011, foi eleito presidente do Parlamento, além de ocupar vários cargos ministeriais. Ele descreve o parlamento como uma decoração e símbolo de gritaria, numa assembleia ausente e de pouco efeito, mas que esgota o orçamento e o tesouro do Estado.

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A situação política jordaniana é fraca. O Fundo Monetário Internacional controla as decisões econômicas. Apesar da rejeição popular, os acordos com a ocupação sionista estão progredindo, como o recente acordo do gás assinado em 2016, além da intenção do Estado e suas agências de manter a situação como está.

Durante governo de Razzaz, as liberdades recuaram. A maior instituição eleita, o Sindicato dos Professores, foi suspenso e os professores foram presos na maior e mais longa greve da história do Reino. Várias personagens importantes em nível local foram convocadas para depor, como o escritor satírico Ahmad Hasan Al Zoubi, e foram presas, como o famoso cartunista Emad Hajjaj, conhecido como Abou Mahjoub, além de muitos outros.

Na tela, caricatura assinada por Emad Hajjaj que retrata Mohammed bin Zayed al-Nahyan, príncipe herdeiro e governante dos Emirados Árabes Unidos, segurando uma ‘pomba da paz’ que cospe em seu rosto, com a bandeira israelense no torso; em árabe, referência à oposição israelense sobre o desejo emiradense de comprar aviões F-35 dos Estados Unidos [AFP/Getty Images]

Na tela, caricatura assinada por Emad Hajjaj que retrata Mohammed bin Zayed al-Nahyan, príncipe herdeiro e governante dos Emirados Árabes Unidos, segurando uma ‘pomba da paz’ que cospe em seu rosto, com a bandeira israelense no torso; em árabe, referência à oposição israelense sobre o desejo emiradense de comprar aviões F-35 dos Estados Unidos [AFP/Getty Images]

Será Dr. Bisher Al-Khasawneh  o homem que, por um passe de mágica, conseguirá resolver esses problemas? Certamente não! A seleção de pessoas e ministros ainda é a mesma, ou seja, nomeados e impostos ao primeiro-ministro. E até mesmo a escolha do primeiro-ministro acontece da mesma maneira. A Jordânia sofre e continuará a sofrer, a menos que a escolha do governo e do presidente se dê através de uma eleição, dentro de um programa de governo, para que ele seja julgado e responsabilizado posteriormente.

As raízes do governo atual, assim como daquele que o antecedeu, representam a central de segurança política e certamente não representam o povo e seus anseios. Não há um governo que tenha programa. O programa dos governos anteriores é claro e explícito, que é aprofundar a corrupção existente e baseada na brutal escola liberal, emprestando do Fundo Monetário Internacional, marginalizando a classe média e tentando acabar com os partidos políticos, se houver.

Mais importante ainda, a Jordânia percebe os perigos que a ameaçam? Por um lado, há a ocupação que está tentando assentar os palestinos na Jordânia no que é conhecido como o Acordo do Século. Por outro, uma enorme crise econômica, aliada à deterioração das liberdades públicas, isto sem contar com a crise do coronavírus, que assola o mundo, e pela qual certamente a Jordânia é afetada.

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Talvez o rei Abdullah II queira reforma e mudança para melhor, o que ele sempre enfatiza, mas o tempo, as ferramentas, o comportamento público e os poderes mostram isto!

O problema não está relacionado ao Dr. Bisher Al-Khasawneh, nem ao Dr. Omar Al-Razzaz, nem mesmo ao Dr. Avram Noam Chomsky, se ele for jordaniano, e abandonar sua aposentadoria na velhice, a quem o rei “confia” a formação de um governo na Jordânia. A questão se resume à farsa de governar na Jordânia e sua insistência (na ausência de impedimentos) neste folclore miserável que é a gestão do país.

“O governo empurrou suas ferramentas para o holocausto do cargo público e vinculou-as a seu desejo de poder absoluto e autoritarismo. Além disto, recentemente, todo primeiro-ministro se tornou incapaz de saber quais instruções e ordens deve cumprir. A educação é dirigida de forma inconstitucional, assim como o setor de desenvolvimento social, ligado a bolsas estrangeiras, de modo que ele não ousa se aproximar dele. A segurança e defesa também, embora ele seja o Ministro da Defesa, Relações Exteriores e do Interior … e é assim que ele procede com sua governança, como alguém que levou “pancada na cabeça”, até que ele se queime e saia com uma mensagem de agradecimento, ele e tudo aquilo em que ele acredita e o que ele estudou em Harvard, Oxford e Cornell.”

“Nem todos os chefes de governo são como Awn Al-Khasawneh. “

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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