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EUA não devem intervir na nomeação do novo enviado da ONU à Líbia, alerta Alemanha

Ghassan Salamé, ex-representante especial da ONU à Líbia, em Roma, Itália, 8 de agosto de 2017 [Riccardo de Luca/Agência Anadolu]
Ghassan Salamé, ex-representante especial da ONU à Líbia, em Roma, Itália, 8 de agosto de 2017 [Riccardo de Luca/Agência Anadolu]

Os Estados Unidos não devem obstruir a nomeação do novo representante da ONU à Líbia, conduzida pelo Secretário-Geral das Nações Unidas António Guterres, a fim de substituir Ghassan Salamé, que demitiu-se há quase cinco meses, alertou nesta quinta-feira (30) o Embaixador da Alemanha na ONU Christoph Heusgen.

A agência Reuters reportou que Salamé, que liderava a missão política da ONU, incumbido de tentar mediar a paz, demitiu-se devido ao estresse da tarefa, após fracassar seu último esforço de paz no país exportador de petróleo, assolado pela guerra.

Segundo diplomatas, os Estados Unidos agora desejam que a tarefa seja dividida: uma pessoa incumbida da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL); outro concentrada em mediar a paz no país.

“Há questões levantadas por nossos parceiros americanos relativas à estrutura da UNSMIL. Acreditamos que, sim, podemos discutí-las … [Mas] os Estados Unidos não devem impedir o Secretário-Geral de indicar um sucessor para Ghassan Salamé”, alegou Heusgen a repórteres.

Tradicionalmente, o Conselho de Segurança da ONU concede luz verde para tais indicações, via consenso, mas alguns dos quinze membros opõem-se à proposta dos Estados Unidos de dividir a função.

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Guterres sugeriu que a ex-Ministra de Relações Exteriores de Gana e atual enviado da ONU à União Africana, Hanna Tetteh, substitua Salamé. Washington declarou que pode apoiar sua indicação após Guterres nomear um mediador especial, relatam diplomatas.

Os Estados Unidos propôs que a ex-Primeira-Ministra da Dinamarca Helle Thorning-Schmidt seja enviada especial à Líbia; contudo, relatos indicam que ela própria retirou-se da disputa. Washington busca agora um novo candidato.

A Líbia decaiu ao caos após protestos populares, com apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), resultarem na deposição do ditador Muammar Gaddafi, em 2011.

Desde 2014, a Líbia está dividida entre o Governo de União Nacional, com sede na capital Trípoli, reconhecido internacionalmente, e a porção oriental do país, controlada por milícias do general renegado Khalifa Haftar.

Haftar tem apoio dos Emirados Árabes Unidos, Egito e Rússia; o Governo de União Nacional recebe apoio da Turquia.

Guterres alertou previamente que há “níveis sem precedentes” de interferência externa e uso de mercenários estrangeiros na Líbia.

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