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Erdogan ameaça enviar refugiados à Europa se não houver zona de segurança na Síria

Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan discursa para multidão durante um comício na Praça Mevlana, em Konya, Turquia, 1° de setembro de 2019 [Abdullah Coşkun/Agência Anadolu]

O Presidente da Turquia Receb Tayyip Erdogan ameaçou permitir que refugiados sírios deixem o território turco em direção à Europa, caso a tão esperada zona de segurança no norte da Síria não seja estabelecida.

“Seremos forçados a abrir as portas. Não podemos ser obrigados a lidar sozinhos com este fardo,” afirmou Erdogan em um discurso ao seu partido realizado hoje. O presidente declarou que a Turquia “não recebe o apoio necessário do resto do mundo.” O apoio referido é a promessa de auxílio financeiro no valor total de seis bilhões de euros (US$ 6.642.510.000) a ser recebido da União Europeia (UE), além de permissão para que cidadãos turcos viajem à países do bloco sem necessidade de visto, como parte do acordo estabelecido entre Europa e Turquia em 2016, sobre a questão dos refugiados.

Segundo relatos, apenas metade dos recursos prometidos para a manutenção das populações de refugiados foi de fato fornecida, sendo o pagamento mais recente no valor adicional de US$ 142 milhões, como anunciou a UE. Entretanto, a permissão de viagens sem necessidade de visto para países europeus ainda não foi concedida aos cidadãos turcos, conforme acordado. Por essas razões, em julho deste ano, a Turquia anunciou que o acordo já não está mais vigente.

A Turquia acolhe hoje cerca de quatro milhões de refugiados da Síria. Até então, gastou US$ 40 bilhões entre custeio e manutenção dos campos, o que lhe permitiu acusar a UE e o Ocidente de não cumprir suas promessas, à medida que contém diversas ondas de refugiados dentro de suas fronteiras, desde o início da guerra na Síria, em 2011.

Para solucionar o problema, estava previsto o estabelecimento de uma zona de segurança no norte da Síria, principalmente a leste do Rio Eufrates, onde estão entrincheiradas as milícias curdas, como as Unidades de Proteção Popular (YPG). Tal ação, segundo Erdogan, teria dois objetivos simultâneos: limpar as regiões de fronteira com a Síria das milícias curdas e abrigar cerca de um milhão de refugiados, ao conceder um novo lar aos deslocados sírios em território turco.

“Nossa meta é abrigar ao menos um milhão de nossos irmãos e irmãs sírios em uma zona de segurança ao longo da fronteira, estendida por 450 quilômetros,” reiterou Erdogan em seu discurso.

Com este propósito, a Turquia vem pressionando o bloco europeu para que se estabeleça a zona de segurança, nos moldes de um acordo anterior com os Estados Unidos, aliado ainda bastante influente entre as milícias curdas. No decorrer das conversas entre os dois países, a Turquia alertou que conduziria sua operação militar ao norte da Síria e estabeleceria a zona neutra por contra própria, o que levou os Estados Unidos a eventualmente concordar com os termos propostos e instalar um centro de cooperação próximo à fronteira síria.

A cooperação, no entanto, até então, não trouxe benefícios à Turquia: suas demandas para que a zona de segurança se estenda em trinta quilômetros adentro do território sírio e seus anseios por controlá-la com seu próprio contingente ainda não foram respeitados pelos Estados Unidos. Muitos oficiais do lado turco já expressaram seus receios de que este poderá se tornar outro caso Manbij – no qual os Estados Unidos controla a situação em detrimento da Turquia. Erdogan deixou claro na última semana que a Turquia não aceitará repetir esse erro, ao declarar: “Jamais toleraremos um atraso como aquele que vimos em Manbij. O processo deve avançar rapidamente.”

No início da semana, Erdogan lamentou que a zona de segurança não passe de um nome, e voltou a alertar para avanços turcos no norte da Síria, a fim de implementar seu plano, caso não receba controle pleno sobre a zona neutra nas próximas semanas.

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