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Massacre de Rabaa no Egito completa dez anos de impunidade, alerta HRW

Homem egípcio em desespero durante violenta repressão das forças de segurança do país ao protesto pacífico na Praça Rabaa al-Adawiyya, Cairo, capital do Egito, 14 de agosto de 2013 [Mohammed Elshamy/Agência Anadolu]
Homem egípcio em desespero durante violenta repressão das forças de segurança do país ao protesto pacífico na Praça Rabaa al-Adawiyya, Cairo, capital do Egito, 14 de agosto de 2013 [Mohammed Elshamy/Agência Anadolu]

Após uma década, autoridades egípcias não indiciaram ninguém pelo massacre na praça de Rabaa, quando quase mil manifestantes foram mortos por forças de segurança.

Em 14 de agosto de 2013, protestos tomaram as ruas contra o golpe militar que destituiu o presidente eleito, Mohamed Morsi. Em resposta, manifestantes encontraram munição real e gás lacrimogêneo; muitas das vítimas foram queimadas vivas. As tropas militares obstruíram os acessos à praça: feridos não podiam sair, ambulâncias não podiam entrar.

Conforme o Human Rights Watch (HRW), o massacre de Rabaa equivale a provável crime de lesa-humanidade, que “inaugurou uma campanha de repressão em massa contra críticos do governo, precipitando o Egito em uma das piores crises humanitárias de décadas”.

Centenas de sobreviventes estão na cadeia, alguns dos quais sob pena capital. Outros foram forçados ao exílio. Nenhuma autoridade foi indiciada.

LEIA: Massacre de Rabaa representa o ‘pior assassinato em massa’ no Egito moderno

Rabaa foi prelúdio de uma onda de violações gravíssimas de direitos humanos que marcam o governo do presidente e general, Abdel Fattah el-Sisi, dentre as quais: detenção arbitrária, sequestro e desaparecimento, tortura e assassinato.

O Egito manteve como hábito a sentença capital, muitas vezes em julgamentos coletivos que carecem de modo flagrante do devido processo.

Em 2020, o país chegou ao pódio dos maiores algozes do mundo, em terceiro lugar, segundo a Anistia Internacional. Naquele ano, o Cairo emitiu 538 sentenças de morte, o triplo do ano anterior – destas, ao menos 28 eram casos políticos.

Adam Coogle, vice-diretor regional do HRW, alertou: “O massacre de Rabaa deu início a uma devastadora campanha de prisões, julgamentos fajutos, tortura e êxodo, que destituiu o país de qualquer espaço para o diálogo crítico e levou muitos reformistas ao exílio”.

“Tratar do que aconteceu em Rabaa não se refere apenas às vítimas e seus familiares, mas é essencial também para o futuro dos direitos humanos e da democracia no país”.

LEIA: Repressão do regime egípcio alimenta indignação popular contra forças de segurança

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