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Controle de Israel sobre a Área C custa US$2.5 bi aos palestinos anualmente, alerta ONU

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Danos deixados por um ataque israelense contra uma residência palestina em Nablus, na Cisjordânia ocupada, em 24 de julho de 2022 [Nedal Eshtayah/Agência Anadolu]

Restrições impostas pelas autoridades israelenses sobre o desenvolvimento do povo palestino na chamada Área C, da Cisjordânia ocupada, custaram à economia local US$50 bilhões entre os anos de 2000 e 2020, advertiu a Organização das Nações Unidas (ONU) em documento emitido nesta quarta-feira (23).

A Área C constitui cerca de 61% da Cisjordânia ocupada e permanece sob controle absoluto das autoridades ocupantes. As restrições instauradas sobre a vida local custam em torno de US$2.5 bilhões por ano.

“Apesar das diversas resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU, que reafirmam a ilegalidade, sob a lei internacional, dos assentamentos e da aquisição de territórios à força, tais áreas continuam a crescer e se expandir”, alertou a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Neste entremeio, o acesso do povo palestino às áreas remanescentes da Cisjordânia permanece “pesadamente restrito”, prosseguiu o relatório.

Sob os Acordos de Oslo, firmados em 1995 por Israel e pela então fundada Autoridade Palestina (AP), preveem que a área constituída por Cisjordânia e Jerusalém Oriental seja dividida em três partes: Área A, B e C. Cerca de 400 mil palestinos vivem na Área C, submetidos a pleno controle militar por parte da ocupação.

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O relatório corroborou que Israel impede os palestinos de conduzir projetos de construção civil na chamada Área C, mas favorece a expansão dos assentamentos ilegais.

Alvarás de construção são taxados de maneira exorbitante aos palestinos empobrecidos, com o intuito de criar um vazio demográfico e estrutural que permita a Tel Aviv anexar cada vez mais terras originárias. Para tanto, os palestinos são privados de projetos de infraestrutura.

O estado sionista, em contrapartida, defere obras de milhares de unidades residenciais situadas nos assentamentos ilegais, construídos em terras palestinas.

“Encerrar essas restrições daria à economia palestina uma base bastante necessária de recursos naturais e financeiros para o desenvolvimento e para reverter a tendência de aprofundamento da crise fiscal e de privação socioeconômica”, concluiu o relatório.

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