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Biden responderá ‘com cautela’ aos cortes de petróleo saudita, afirma Casa Branca

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Presidente dos Estados Unidos Joe Biden em Pittsburgh, Pensilvânia, 5 de setembro de 2022 [Heather Mull/Agência Anadolu]

A administração dos Estados Unidos do presidente Joe Biden agirá “com cautela” ao responder ao corte na produção de bens energéticos aprovado pela Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados – cartel conhecido como OPEP+, incluindo a Rússia –, destacou Jake Sullivan, assessor de segurança nacional da Casa Branca, em entrevista concedida na segunda-feira (17) à rede CNN.

Tensões entre Estados Unidos e Arábia Saudita – líder de facto da OPEP – voltaram a se agravar, após a monarquia ratificar a contenção ainda maior de seus recursos.

“[Biden] não agirá precipitadamente”, alegou Sullivan. “[Biden] vai agir com cautela e estratégia e vai tomar todo o tempo necessário para consultar membros de ambos os partidos e aguardar o retorno do Congresso para que possa sentar-se pessoalmente com os deputados e estudar todas as opções”.

“[As opções] incluem mudanças em nossa abordagem sobre a assistência de segurança à Arábia Saudita, mas não quero me adiantar ao presidente”, reiterou Sullivan. “O que posso dizer é que não é nada imediato”.

O auxílio militar de Washington à monarquia compreende bilhões de dólares em exportação de mísseis de defesa aérea, cerca de US$126.6 bilhões no comércio de ativos intergovernamentais, além de três mil soldados estacionados no território saudita.

LEIA: As consequências geopolíticas dos cortes de produção da OPEP+

No início do mês, a OPEP+ deferiu o corte na produção e exportação de cerca de dois porcento do fornecimento global. Em resposta, Washington acusou a Arábia Saudita de tomar partido da Rússia sobre a evasão de sanções internacionais devido à invasão da Ucrânia.

Os cortes contrariam ainda apelos de Biden feitos à monarquia em agosto, para que a indústria saudita aumentasse a produção de petróleo cru, com intuito de mitigar a crise de energia global e a escassez de insumos combustíveis – que implica em recordes de inflação ao afetar os custos de commodities básicas, incluindo alimentos.

Críticos das políticas ocidentais, no entanto, destacam que tais regimes fazem demandas sobre a autonomia de mercado dos estados do Golfo, enquanto realizam cortes consideráveis em sua própria produção doméstica de insumos combustíveis.

A Arábia Saudita negou que a medida emane de qualquer motivação política – sobretudo, apoio ao Kremlin –, ao insistir que se trata de um esforço econômico para controlar a volatilidade dos mercados globais. Segundo o reino, não houve contato com a Rússia antes ou durante a tomada da decisão.

Apesar das alegações sauditas, Biden prometeu impor “consequências” ao aliado histórico. Seu correligionário democrata e chefe do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Bob Menendez, pediu o congelamento de toda cooperação com a Arábia Saudita, incluindo parte substancial da venda de armas.

Segundo Sullivan, o presidente americano não planeja se reunir com Mohammed bin Salman – príncipe herdeiro e governante de facto da monarquia – na cúpula do G20, prevista para o mês de novembro, na Indonésia.

LEIA: O que é NOPEC, lei americana para pressionar o cartel de petróleo OPEP+?

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