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Desenvolvedora de spyware israelense tem 22 clientes em 12 países da Europa

Smartphone visita o site do Grupo NSO, empresa israelense responsável por desenvolver o spyware Pegasus, em Paris, 21 de julho de 2021 [Joel Saget/AFP via Getty Images]
Smartphone visita o site do Grupo NSO, empresa israelense responsável por desenvolver o spyware Pegasus, em Paris, 21 de julho de 2021 [Joel Saget/AFP via Getty Images]

O Grupo NSO – companhia israelense responsável por desenvolver o spyware Pegasus, dentre outros produtos de guerrilha cibernética – possui contratos com 22 agências de segurança em 12 estados-membros da União Europeia. As informações foram reveladas pelo jornal Haaretz.

Os dados foram corroborados durante visita a Israel de representantes do Comitê de Inquérito do Parlamento Europeu, incumbido de averiguar o escândalo do spyware Pegasus, encontrado em aparelhos celulares de políticos, jornalistas e diplomatas.

A comitiva se encontrou com representantes da empresa, assessores do Ministério de Segurança Pública e peritos locais, com o intuito de monitorar a indústria de guerrilha cibernética desenvolvida no estado sionista.

Dentre os membros do Comitê de Inquérito está um parlamentar catalão cujo aparelho celular foi hackeado pelos produtos do Grupo NSO.

Ao retornar a Bruxelas, a comitiva constatou a presença de uma avançada indústria de guerrilha cibernética no continente europeu, ao informar que vários governos compraram ou licenciaram produtos do tipo para espionar opositores.

O spyware Pegasus – assim como programas similares de outras companhias – pode infectar aparelhos para espionar conversas, decodificar mensagens por aplicativo, acessar contatos e compilar informações em tempo real ao redor da vítima, ao ligar remotamente a câmera e o microfone.

LEIA: Membro do Parlamento Europeu é alvo de spyware israelense

O Comitê de Inquérito demandou em sua visita os nomes dos clientes do Grupo NSO na Europa. Foi revelado que 14 países assinaram contratos com a empresa no passado e 12 países mantém “uso legal” do aplicativo Pegasus para grampear smartphones.

O Grupo NSO confirmou ainda que trabalha atualmente com 22 agências de segurança e inteligência nos 12 países em questão. Segundo a diretoria, contratos são assinados com agências e não com estados.

A empresa, no entanto, não concedeu detalhes sobre quais países têm clientes ativos e quais interromperam a colaboração.

Fontes no campo de análise digital apontam que o Grupo NSO deixou de trabalhar com Polônia e Hungria após ambos serem removidos, no último ano, da lista de estados com autorização de Israel para importar programas de guerrilha cibernética.

As fontes confirmaram que a companhia israelense ainda trabalha com a Espanha, a despeito do escândalo implicar diretamente o governo em Madrid, sob denúncia de que suas agências espionaram oponentes e líderes separatistas na Catalunha.

Sophie in’t Veld – membro do comitê e parlamentar da Holanda – comentou: “Se apenas uma empresa tem 14 países-membros como consumidores, podemos imaginar quão grande é este setor de modo geral. Parece existir um vasto mercado para espionagem comercial e governos da União Europeia são compradores ansiosos. No entanto, mantêm-se em silêncio e deixam a matéria bem longe do escrutínio público”.

“Sabemos que programas de espionagem são desenvolvidos por diversos países europeus, incluindo Itália, Alemanha e França”, prosseguiu. “Mesmo que fossem utilizados de forma legítima, não há qualquer vontade de empregar transparência, supervisão e salvaguarda”.

“Os serviços secretos têm seu próprio universo, onde as leis comuns não se aplicam”, concluiu in’t Veld. “De certo modo, este sempre foi o caso; contudo, na era digital se tornaram também onipotentes, praticamente invisíveis e absolutamente elusivos”.

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