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Mulher libanesa continua em coma há dois anos desde explosão em Beirute

Familiares das vítimas da explosão no porto de Beirute – em 4 de agosto de 2020 – protestam em frente ao Palácio de Justiça, na capital libanesa, em 7 de fevereiro de 2022 [Houssam Shbaro/Agência Anadolu]

Uma mulher libanesa de 43 anos permanece em coma há dois anos após a explosão que devastou o porto de Beirute, em 4 de agosto de 2020. As informações são da agência de notícias Anadolu.

Lara Hayek foi encontrada por sua mãe, Najwa, em sua casa, com ferimentos graves e coberta de sangue, após a destruição em massa que abalou a capital.

Najwa recordou: “No momento da explosão, Lara estava sozinha em casa e sofreu ferimentos nos olhos e na cabeça. Após a explosão, fui direto para casa de meu trabalho e encontrei Lara coberta de sangue. Então, comecei minha jornada para achar uma vaga de hospital em meio à enorme destruição”.

O desastre – uma das maiores detonações não-atômicas da história humana – foi causado pela combustão de toneladas de nitrato de amônio, armazenadas indevidamente há anos. As ruínas se tornaram símbolo da corrupção e má gestão da elite política, que mergulhou o estado árabe no colapso econômico e na subsequente crise social.

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“Após encontrar um hospital em Beirute, as enfermeiras e os médicos não puderam socorrer Lara imediatamente, pois tinham de cuidar de casos ainda mais graves”, relatou Najwa. “Seu corpo estava completamente frio e comecei a gritar e implorar para que a ajudassem”.

Lara foi transferida do Hospital da Universidade Americana em Beirute ao Hospital Bhanes, após ser diagnosticada com danos cerebrais. A mãe agora convive com sua filha em estado vegetativo, apesar do batimento cardíaco.

Najwa perdeu seu marido em 2019 e seu outro filho vive fora da cidade.

“Considero Lara minha amiga, não apenas minha filha, e costumávamos viver uma para a outra”, destacou Najwa. “Após a explosão, perdi minha razão de viver”.

Conforme especialistas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, a detonação destruiu 77 mil apartamentos, feriu sete mil pessoas e deslocou outras 300 mil, incluindo 80 mil crianças.

“Me sinto hoje como um robô. Acordo e vou trabalhar; volto para a casa sozinha e ainda evito o quarto de minha filha”. A mãe, porém, recusa-se a perder as esperanças. “Tenho fé de que Lara retornará para mim e espero que um dia ela acorde, não importa como”.

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