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AIPAC investe milhões em candidatos nos EUA, tenta reverter apoio palestino

Logo do Comitê de Assuntos Públicos Israel-Estados Unidos (AIPAC) durante conferência política em Washington, 25 de março de 2019 [Andrew Harrer/Bloomberg/Getty Images]

Após uma série de derrotas consideráveis, o Comitê de Assuntos Públicos Israel-Estados Unidos (AIPAC), principal grupo de lobby sionista na arena americana, expediu milhões de dólares para influenciar as primárias democratas das eleições ao congresso, com objetivo de reagir ao apoio crescente à causa palestina.

A AIPAC decidiu remeter dinheiro, trabalho e recursos para impedir a vitória de mulheres alinhadas ao grupo de parlamentares progressistas conhecido como “Squad”, que abarca Alexandra Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib.

O grupo sionista gastou US$2.3 milhões em um único dia durante a primária democrata no estado da Pensilvânia, na terça-feira (17). Summer Lee, ativista negra e líder nas pesquisas, demonstra solidariedade ao povo palestino.

Forças corporativas tentaram difamar a campanha de Lee por suas posições políticas, mas nenhuma causou tamanho burburinho quanto sua atitude sobre a Palestina ocupada.

Na tentativa de encobrir o papel da AIPAC e evitar acusações de interferência no processo eleitoral, o grupo canalizou seus recursos por meio do Projeto de Democracia Unida (UDP).

O UDP também investiu US$2 milhões em Valeria Foushee, para tentar obstruir a candidatura ao Senado de Nida Allam, assessora política da campanha presidencial de Bernie Sanders, em 2016, e primeira mulher muçulmana a assumir um cargo eletivo na Carolina do Norte.

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Outro US$1.2 milhão foi gasto para defender o cargo do congressista texano Henry Cuellar. Na próxima semana, o veterano de 66 anos enfrenta a advogada Jessica Cisneros, de 28 anos, que especializou na pauta migratória e manifestou apoio ao povo palestino.

Candidatos da AIPAC ao Capitólio já asseguraram duas vitórias na Carolina do Norte, por meio de doações acima de US$5 milhões.

Em março, o lobby sionista foi acusado de priorizar o apoio ao Estado de Israel em detrimento da democracia, após confirmar apoio a dezenas de parlamentares republicanos que tentaram obstruir a posse do presidente Joe Biden.

Em resposta, a AIPAC reiterou que sua militância sionista — isto é, em defesa da ocupação e do regime de apartheid na Palestina histórica — antecede outras questões e que “não é momento do movimento pró-Israel ser seletivo sobre seus amigos”.

O grupo J Street — identificado com a esquerda sionista — contestou a AIPAC: “Seu apoio a tais candidatos ameaça a democracia e prejudica os verdadeiros interesses e valores de milhões de judeus americanos e cidadãos pró-Israel que alega representar”.

Richard Haass, presidente do Conselho de Relações Internacionais, think tank sediado em Nova York, descreveu o apoio a políticos que “buscam sabotar a democracia” como “falência moral”.

Não obstante, os grupos sionistas fracassaram em sua agressiva campanha de difamação e envio de recursos para destituir membros do Squad nas últimas eleições.

Em 2020, Cori Bush — ativista do Black Lives Matter e apoiadora do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) — obteve uma vitória histórica no estado do Missouri, ao encerrar os dez mandatos consecutivos do parlamentar sionista William Lacy Clay.

Na mesma rodada eleitoral, Eliot Engel — congressista democrata marcado por votos pró-Israel em duas décadas de mandato — foi derrotado pelo educador e ativista negro Jamaal Bowman, no estado de Nova York.

Rashida Tlaib — primeira cidadã palestino-americana eleita ao Congresso, pelo 13° distrito do estado de Michigan — também recebeu oposição contundente de adversários amparados por forças sionistas e corporativas. O mesmo ocorreu com Ilhan Omar, que representa Minnesota.

Apesar dos sucessivos ataques, inclusive em termos de discriminação e perseguição racial, e do investimento milionário da AIPAC, ambas conquistaram seu segundo mandato.

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