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Parlamentar propõe criminalizar suicídio contra aumento de casos no Egito

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Bandeira nacional do Egito no Cairo, 20 de abril de 2019 [KHALED DESOUKI/AFP/Getty Images]

Ahmed Mahana, parlamentar egípcio e vice-presidente do Partido Liberdade, sugeriu criminalizar a tentativa de suicídio para conter o aumento de casos no país. Seu plano determina três meses a três anos de internação compulsória aos sobreviventes.

Segundo a proposta, caso um indivíduo tente tirar a própria vida, será também multado no valor de 10 mil a 50 mil libras egípcias — isto é, entre US$640 a US$3.200.

No início deste ano, Basant Khaled, de 17 anos, cometeu suicídio após dois homens divulgarem online fotografias adulteradas para retratá-la nua. A jovem havia rejeitado investidas sexuais de ambos os criminosos e sofreu assédio de colegas de escola e mesmo professores.

“Não aguento mais isso”, escreveu Basant em sua nota de suicídio antes de intoxicar-se com remédios. Seu caso viralizou no Twitter, junto de manifestações de solidariedade a mulheres que sofrem assédio e chantagem online — crime cada vez mais comum no país.

Em setembro, uma estudante do quarto ano de odontologia se matou após sua família pressioná-la a não morar sozinha. Os serviços de segurança do país tentaram censurar as notícias, ao ameaçar processar qualquer pessoa que compartilhasse um vídeo que viralizou.

LEIA: Adolescente suicida-se no Egito por fotos adulteradas online; dois homens são presos

O projeto de lei é a mais recente tentativa das autoridades para controlar a narrativa sobre a epidemia de doenças mentais que assola o Egito. Organizações de direitos humanos reiteram que o ambiente político e econômico é responsável pelo aumento nos incidentes.

Em 2021, a Fundação Árabe para Direitos Humanos reportou média mensal de 30 a 35 casos de suicídio no estado norte-africano. Em 2016, um total de 3.799 pessoas suicidou-se no Egito, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — maior índice entre os países árabes.

A recente tentativa de suicídio dos prisioneiros políticos Mocha e Oxygen e relatos de que Alaa Abdelfattah também sofre de depressão atraíram atenção à epidemia generalizada nas cadeias do país, sob condições precárias que incluem restrições severas às visitas de seus familiares.

LEIA: Fim do estado de emergência não acabou com a repressão sistemática no Egito, segundo a HRW

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