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Relembrando o golpe que forçou a renúncia de Evo Morales na Bolívia

Evo Morales realiza una conferencia de prensa en la Ciudad de México un día después de su llegada a México como refugiado político.[Enéas Mx]

O quê: Renúncia de Evo Morales

Onde: Bolívia

Quando: 10 de novembro de 2019

Em 10 de novembro de 2019, após dezenove dias de protestos de manifestantes e líderes opositores de Morales e a divulgação de um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) que alegava irregularidades no processo eleitoral, as Forças Armadas e a polícia boliviana exigiram que o presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciasse.

O relatório da OEA sobre a lisura das eleições vencidas por Evo afirmava que, “a manipulação do sistema de informações foi de tal magnitude, que deve ser profundamente investigada por parte do Estado boliviano, para chegar às origens dos problemas e atribuir as responsabilidades deste caso grave. A existência de atas físicas com alterações e assinaturas falsificadas também afetou a integridade do cômputo oficial”

O fato foi considerado um golpe de Estado pelas forças progressistas da América Latina, por forçar a interrupção do governo de forma inconstitucional e envolvimento das Forças Armadas forçando a renúncia de Evo.

Tanto Morales como o vice-presidente Álvaro García Linera e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, apresentaram a renúncia depois de denunciar hostilidades, agressões e ameaças contra suas famílias e as de outros servidores públicos e legisladores do governo. Evo exilou-se no México, a convite do presidente López Obrador.

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O que aconteceu antes

Em 20 de outubro de 2019 ocorreu o primeiro turno de votações para todos os cargos governamentais. O Tribunal Supremo Eleitoral publicou duas séries de contagens pouco depois do fechamento da votação. As duas contagens estabelecidas mostraram que Morales liderava com menos de dez pontos percentuais às 7h40 da noite, no horário local, momento em que foram interrompidas as atualizações. Uma vantagem de menos de 10 pontos daria como resultado um segundo turno eleitoral.

Em 21 de outubro de 2019, o Órgão Eleitoral Plurinacional informou uma contagem ainda incompleta, com 95,3% dos votos apurados, com uma margem muito acima dos 10 pontos a favor de Morales, que não tinha como ser revertida, evitando assim um segundo turno.

Em 6 de novembro, a oposição boliviana publicou um relatório de 190 páginas que continha acusações de fraude e irregularidades como adições errôneas de atas eleitorais, alteração de dados e atas eleitorais em que o partido dirigente obteve mais votos que os eleitores registrados, e o enviou à OEA e às Nações Unidas.[28]

Em 9 de novembro, opositores bolivianos tomaram os estúdios das principais emissoras de rádio e televisão estatais, obrigando a suspender os boletins informativos. À tarde, manifestantes tinham isolado os estúdios, retendo por umas duas horas os jornalistas, ameaçando-os de destruir equipamentos e interromper as transmissões.[29] Horas depois, dois meios de comunicação estatais bolivianos sofreram atos de hostilidade por parte de manifestantes na cidade de La Paz que feriram membros da defensoria, que foram intervir. A sede da televisão estatal Bolívia TV e da rede de rádio Pátria Nova no centro de La Paz tiveram seus acessos bloqueados, até que seus funcionários pudessem sair.[30]

Em 10 de novembro, a OEA apresentou seu relatório desencadeando a exigência de renúncia de Evo Morales

O que aconteceu depois

Apoiadores de Evo Morales não aceitaram a renúncia e passaram a enfrentar a repressão do Exército nas ruas de La Paz. Manifestações em solidariedade a Evo Morales aconteceram em vários países da América Latina.

Marcha em solidariedade a Evo Morales, na Argentina [Santiago Sito]

Em uma sessão sem quórum, a segunda vice-presidente do Senado, a senadora direitista Jeanine Áñez, autoproclamou-se presidente em 12 de novembro, e foi empossada pelo Tribunal Constitucional Plurinacional da Bolívia, com o compromisso de convocar novas eleições.

No final de fevereiro de 2020, especialistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts publicaram um estudo com a conclusão de que não houve nenhuma evidência estatística de fraude nas eleições presidenciais de outubro de 2019 na Bolívia. Os estudiosos classificaram as conclusões do relatório divulgado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em novembro como “profundamente falhas”.

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O período do governo de Áñez foi marcado por repressão aos protestos e mudanças radicais nas políticas do presidente afastado, especialmente com novo realinhamento aos Estados Unidos e Israel e o afastamento de Venezuela e Cuba nas relações internacionais.

Eleições presidenciais foram realizadas em novembro de 2020 com expressiva vitória de Lucio Arce, candidato do MAS, partido de Evo Morales, que retornou ao país. Processos foram iniciados contra os envolvidos no golpe de 2019.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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