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Pai é preso injustamente por Israel e criança fica sem quimioterapia

As forças de ocupação israelense prenderam em Hebron o pai palestino de quatro crianças, Hijazi Qawasmeh, cujo filho mais velho, Ahmad, sofre de câncer ósseo.

Na madrugada desta terça-feira (14), as forças de ocupação israelense prenderam em Hebron o pai palestino de quatro crianças, Hijazi Qawasmeh, cujo filho mais velho, Ahmad, sofre de câncer ósseo.

De acordo com a Al-Araby Al-Jadeed, o menino palestino de onze anos, Ahmed Hijazi Al-Qawasmi, sofre de câncer ósseo e seu pai, Hijazi, sempre o acompanha nas sessões de quimioterapia em Al-Mutala, hospital na cidade ocupada de Jerusalém. Devido à prisão de seu pai, ele não pode receber a sessão do tratamento que estava agendada para hoje.

“Hoje era pra ser minha sessão de quimioterapia, mas minha consulta foi adiada após o exército da ocupação israelense prender meu pai, hoje. Meu pai costumava me encorajar para minha sessão de quimioterapia. Ele me apoiava, eu me senti deprimido e triste quando ele foi preso. Espero continuar meu tratamento e ver meu pai logo”, diz Ahmad em um vídeo publicado por Lou’y Alsaeed, em que ele aparece com a mãe e os irmãos pequenos.

Segundo o Middle East Eye, a mãe de Ahmed explicou que ele normalmente faz quimioterapia seis dias por semana, mas sua saúde mental piorou após a prisão de seu pai, informou o Middle East Eye.

A foto com a dolorosa cena de Hijazi al-Qawasmi, de 38 anos, se despedindo de seu filho com um beijo na testa, durante sua prisão nesta madrugada, em Hebron, sul da Cisjordânia, viralizou nas redes sociais.

A dolorosa imagem abriu uma ferida cruel nos palestinos, já que milhares sofrem diariamente com as prisões arbitrárias feitas pela ocupação, e são privados de momentohttps://twitter.com/monitordoorient/status/1437744809758834697s importantes com seus parentes.

“Às três horas da manhã, as forças de ocupação invadiram minha casa e a de meu irmão, no mesmo prédio, em Wadi Abu Katila, a noroeste da cidade de Hebron, e prenderam seus moradores. Eles não se importaram com a condição do filho doente de meu irmão. Eu disse a eles que Hijazi estava preocupado apenas em cuidar de seu filho, que ele não faz nada, dia e noite, além de estar com seu filho doente e acompanhá-lo em seu tratamento”, disse para a Al-Araby, o irmão de Hijazi, Ziada Al-Qawasmi, que tirou a foto da despedida.

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“Como podem justificar a invasão em uma casa em que há uma criança doente? Os soldados entraram e fizeram barulho. Foi uma situação difícil para meu irmão Hijazi. Todas as pessoas viram a cena da despedida, e seu pequeno Ahmed mostra sinais de emagrecimento e doença. Seu cabelo caiu e seu corpo está magro devido à doença e ao tratamento químico”, acrescentou.

Há três meses, Hijazi partiu com seu filho Ahmed para a Turquia para que ele fizesse uma cirurgia de remoção do câncer em uma seção do osso do pé. Eles ficaram lá por cerca de um mês e voltaram há dois meses. De acordo com sua família, a criança perdeu a capacidade de andar. Os médicos esperam que ele volte a andar depois de um tempo, ele passou por cerca de seis sessões de quimioterapia no Hospital Al-Mutala e ainda está no início de uma longa jornada de tratamento.

Esta é a quarta vez que a ocupação prende Hijazi al-Qawasmi, mas é a que acontece no momento mais sensível e doloroso. De acordo com Ziad, a condição da criança é grave, e o pai precisou deixar a criança sem saber se a ocupação daria a oportunidade de continuar apoiando seu filho doente.

Além de cuidar da criança, Hijazi tem uma loja em que vende suprimentos de iluminação na área de Al-Eizariya, nos arredores de Jerusalém. Os soldados da ocupação pensaram que ele estava lá, então invadiram e saquearam a loja, antes de irem para Hebron prendê-lo.

Hijazi al-Qawasmi é irmão dos dois mártires Ahmed e Murad al-Qawasmi, irmão do palestino deportado Mahmoud al-Qawasmi no caso “Wafa al-Ahrar” de Gaza em 2011, e tem dois irmãos, os prisioneiros Hussein e Hussam, condenados à prisão perpétua. Ele também tem mais três irmãos, presos libertados, que passaram períodos intermitentes ao longo dos anos nas prisões da ocupação.

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Hoje as forças israelenses detiveram pelo menos 23 palestinos de várias partes dos territórios ocupados, de acordo com fontes de segurança palestinas, informou a agência Wafa.

Em Hebron, sul da Cisjordânia ocupada, os israelenses detiveram nove palestinos. Além de Hijazi, outros seis dos nove detentos foram identificados como residentes das cidades de Dura e Deir Samet, assim como Kureisa, Beit al-Rush al-Fauqa e Deir al-Asal al-Fauqa, a oeste e sudoeste de Hebron. Um pai foi preso junto de seu filho.

Os outros dois dos nove detentos incluíam um ex-prisioneiro de 36 anos, da cidade de Sair, a nordeste de Hebron.

No distrito de Belém, fontes confirmaram uma batida militar israelense na vila de Harmala, a leste da cidade de Belém, resultando na detenção de uma pessoa.

Em Jerusalém, a polícia israelense prendeu e agrediu brutalmente outras duas pessoas nas proximidades de Bab Hutta, que leva ao complexo da Mesquita Al-Aqsa.

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Em Ramallah e no distrito de al-Bireh, veículos militares israelenses invadiram a cidade de al-Bireh, onde soldados prenderam três pessoas após revistarem e saquearem suas casas. Os soldados roubaram uma grande quantidade de dinheiro da casa de um dos detentos.

Em uma batida semelhante na aldeia de Kafr Ein, a noroeste de Ramallah, os soldados prenderam uma pessoa. Também no distrito de Ramallah, os soldados invadiram ontem à noite a vila de Nilin, a oeste da cidade de Ramallah, onde prenderam dois jovens de 14 e 16 anos de seu lote de terra.

No distrito de Salfit, uma força militar invadiu a cidade de Kifl Haris, ao norte da cidade de Salfit, onde detiveram três pessoas antes de libertá-los várias horas depois.

Um dos detentos foi identificado como um advogado, que foi espancado e posteriormente levado a um hospital.

Enquanto isso, outro palestino foi detido enquanto estava dentro de Israel. Ele foi identificado como um residente da cidade de al-Jalamaa, ao norte da cidade de Jenin.

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As forças israelenses realizam uma campanha de busca em larga escala, invadindo as casas e interrogando os residentes da cidade de Yabad e da aldeia de al-Jalama, a oeste e ao norte da cidade, como parte da caçada em massa aos dois fugitivos da prisão que permanecem em liberdade.

Também no mesmo distrito, soldados israelenses detiveram ontem à noite outro palestino nas proximidades do posto de controle de Salem, a oeste da cidade.

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