Portuguese / Spanish / English

Middle East Near You

Tiros em Cabul celebram saída final dos Estados Unidos

Combatentes do Talibã discursam na província de Herat, após saída final das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão, em 31 de agosto de 2021 [Mir Ahmad Firooz Mashoof/Agência Anadolu]

Tiros de celebração ecoaram pela capital afegã nesta terça-feira (31), após o grupo Talibã enfim tomar controle do aeroporto, devido à retirada das últimas tropas dos Estados Unidos estacionadas no país, segundo informações da agência Reuters.

Após duas décadas de ocupação, a apressada e humilhante retirada das forças dos Estados Unidos e aliados da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte – deu lugar a um Talibã mais forte do que aquele que controlou o Afeganistão entre 1996 e 2001.

Vídeos distribuídos pelo grupo afegão mostraram combatentes entrando no aeroporto, após uma aeronave C-17 decolar com os últimos soldados americanos.

“É um dia histórico, um momento histórico”, comemorou Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, durante coletiva de imprensa no aeroporto. “Temos muito orgulho desse momento, pois libertamos nosso país de uma enorme potência”.

LEIA: Presença militar britânica no Afeganistão chega ao fim, após duas décadas

Último soldado dos EUA deixa Afeganistão

Uma imagem capturada com visão noturna e compartilhada pelo Pentágono registrou o instante em que o último soldado americano pisou a bordo do voo de evacuação — o oficial foi identificado como major-general Chris Donahue, comandante da 82ª Divisão Aérea.

A guerra mais duradoura dos Estados Unidos clamou 2.500 vidas entre as forças americanas, além de 240 mil afegãos, além de um prejuízo estimado em US$2 trilhões.

Apesar de obter inicialmente êxito em destituir o Talibã e expulsar a organização terrorista Al-Qaeda do Afeganistão, a ocupação americana encerrou-se com a ressurgência do primeiro, ao capturar ainda mais território do que detinha da última vez.

Retirada dos EUA do Afeganistão — aonde vão agora? [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Durante seu primeiro governo — entre 1996 e 2001 —, o Talibã aplicou à força sua interpretação fundamentalista da lei islâmica, que tornou-se infame pela opressão às mulheres.

Agora, à medida que negocia seu reconhecimento internacional, o mundo aguarda para observar se o Talibã adotará um regime mais inclusivo e moderado.

Longas filas se formaram em frente às agências bancárias de Cabul, na manhã desta terça-feira, à medida que a população teme uma iminente carestia. As ruas afegãs vivenciam um misto de triunfo e euforia, por um lado, e temor e incerteza, por outro.

“Tive de ir ao banco com minha mãe — no caminho, vimos que o Talibã batia nas mulheres com cassetetes”, reportou uma cidadã afegã de 22 anos, em condição de anonimato. “É a primeira vez que vejo algo assim e realmente me deixou apavorada”.

Segundo o relato, o ataque ocorreu entre uma multidão na frente de uma filial do Banco Azizi, perto do Hotel Kabul Star, no centro da capital.

Milhares de afegãos já deixaram o país, sob receios de represálias do Talibã.

Mais de 123 mil pessoas foram evacuadas de Cabul por uma ponte aérea caótica, coordenada por Washington e aliados, nas últimas duas semanas. Porém, muitos dos que ajudaram a intervenção ocidental ao longo dos anos foram deixados para trás.

LEIA: Restaurante palestino oferece 900 refeições para refugiados afegãos que chegam ao aeroporto de Manchester

Um contingente americano — estimado pelo Secretário de Estado Antony Blinken como menor de 200 pessoas e possivelmente próximo de cem — queria fugir do país, mas não conseguiu embarcar nos últimos voos, até então.

O Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido Dominic Raab estimou que algumas centenas de cidadãos britânicos permaneceram no Afeganistão, após a evacuação de aproximadamente cinco mil pessoas.

O Talibã tem agora a difícil missão de restaurar a economia afegã devastada pela guerra, sem os bilhões de dólares que chegaram ao país nos últimos anos, por meio de uma elite governante colaboracionista, acusada de corrupção.

Afegãos que vivem nas zonas rurais enfrentam uma catástrofe humanitária, agravada pela presente seca que assola o país, alertaram oficiais das Nações Unidas.

Categorias
AfeganistãoÁsia & AméricasEstados UnidosNotíciaONUOrganizações InternacionaisOTAN
Show Comments
Show Comments