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Arábia Saudita expressa receios sobre enriquecimento de urânio do Irã

Inspetor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fiscaliza tubulações utilizadas para o enriquecimento de urânio a 20%, no centro de pesquisa nuclear de Natanz, a cerca de 300 km de Teerã, capital do Irã, 20 de janeiro de 2014 [Kazem Ghane/IRNA/AFP via Getty Images]

A Arábia Saudita voltou a expressar apreensão sobre o aumento nas atividades nucleares iranianas como ameaça regional, após Teerã iniciar seu processo de enriquecimento de urânio, conforme declaração do Ministério de Relações Exteriores em Riad.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — órgão de fiscalização das Nações Unidas — reportou na terça-feira (6) que o Irã deu início à sua produção de urânio enriquecido, medida eventualmente destinada ao desenvolvimento de armas atômicas.

O avanço iraniano é duramente criticado por Estados Unidos e potências europeias.

Teerã afirma que suas ações têm como propósito desenvolver combustível para um reator de pesquisa e nega qualquer intenção beligerante em seu programa nuclear.

Washington e seus aliados, porém, enxergam as medidas iranianas como ameaça às negociações para ressuscitar o acordo nuclear de 2015, que prevê restrições às atividades de Teerã em troca de suspender sanções internacionais.

Por sua vez, a Arábia Saudita “está profundamente preocupada sobre o aumento no ritmo das atividades nucleares iranianas e o desenvolvimento de suas capacidades … inconsistente com objetivos pacíficos”, relatou um oficial à agência Reuters.

A fonte argumentou que os avanços da república islâmica para produzir urânio enriquecido a 60% de pureza e a 20% em estado metálico “representam uma ameaça exponencial” à segurança regional e à não-proliferação de armas atômicas.

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Segundo o oficial saudita, a postura iraniana contradiz esforços para assegurar um “acordo nuclear abrangente que preserve a segurança e estabilidade regional e global”.

Potências internacionais mantêm conversas com Teerã desde o início de abril, para restaurar o acordo abandonado por Washington há três anos, quando o então presidente Donald Trump decidiu impor sanções “sem precedentes” à república islâmica.

Teerã reagiu ao romper gradualmente suas restrições sob o tratado.

Na quarta-feira (7), os Estados Unidos alegaram esperar que a sétima rodada de negociações indiretas com o Irã ocorra em “momento apropriado”; contudo, sem especificar quando.

O urânio enriquecido a 20% pode ser utilizado em reatores de pesquisa, mas França, Reino Unido e Alemanha — signatários do acordo — advertem que a produção iraniana não possui credibilidade civil e detém graves implicações militares em potencial.

A Arábia Saudita permanece em impasse com o Irã sobre sua rivalidade por influência política e militar no Oriente Médio. Os países romperam laços diplomáticos em 2016. Em abril deste ano, conversas diretas foram lançadas para conter tensões.

A monarquia islâmica, no entanto, reivindica maior duração ao acordo e exige que os compromissos do tratado compreendam também as apreensões dos estados do Golfo sobre o programa de mísseis de Teerã e seu apoio a grupos paramilitares na região.

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