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Premiê deposto de Israel conspirou com Arábia Saudita contra o rei jordaniano

Benjamin Netanyahu, ex-premiê de Israel, e Mohammed Bin Salman, príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita

Novos detalhes surgiram sobre uma suposta conspiração para depor o Rei da Jordânia Abdullah II, conforme os quais o agora ex-premiê israelense Benjamin Netanyahu colaborou com o então governo americano de Donald Trump, opositores jordanianos e o príncipe herdeiro saudita Mohammed Bin Salman.

Netanyahu foi enfim retirado do cargo de primeiro-ministro israelense neste domingo (13), após doze anos consecutivos no poder. O parlamento (Knesset) aprovou a nova coalizão de governo do nacionalista de extrema-direita Naftali Bennett e seu aliado centrista Yair Lapid.

Detalhes do papel de Netanyahu foram divulgados em um artigo do jornal americano The Washington Post, de autoria de David Ignatius, sob o sugestivo título “Inside the palace intrigue in Jordan and a thwarted ‘deal of the century’ — “Por dentro da intriga palaciana na Jordânia e um frustrado ‘acordo do século’”.

Ignatius comenta uma das grandes histórias de abril, quando o ex-príncipe herdeiro jordaniano Hamza Bin Hussein foi acusado de tentar reaver a coroa de seu meio-irmão. O complô supostamente teve apoio de Bin Salman, governante de fato saudita.

O relato de Ignatius é baseado em uma reportagem investigativa da imprensa jordaniana sobre o caso, além de entrevistas com oficiais do atual governo de Joe Biden e de seu predecessor, com conhecimento sobre a política externa de Trump para o Oriente Médio.

A objeção do Rei Abdullah II ao chamado “acordo do século” — conjunto de propostas favoráveis à ocupação israelense em detrimento dos direitos palestinos — é considerada a principal razão que levou à conspiração para sabotar seu domínio.

O sucesso do plano demandaria um novo arranjo para Jerusalém Oriental ocupada, ao revogar a custódia jordaniana da Mesquita de Al-Aqsa.

Em março de 2019, dois meses antes da gestão Trump divulgar os aspectos econômicos do plano no Bahrein — sob o título “Paz para Prosperidade” —, o monarca hachemita emitiu uma das mais duras críticas à proposta, tanto em âmbito regional quanto internacional.

“Jamais mudarei minha posição sobre Jerusalém … não importa o que digam”, declarou Abdullah. “Temos um dever histórico em relação a Jerusalém e aos lugares sagrados … Há pressão sobre mim do exterior. Porém, considero a linha vermelha”.

Em outra entrevista, na mesma época, o rei jordaniano manteve sua ênfase: “Como eu, um hachemita, poderia retroceder ou desistir de Jerusalém? Impossível … As pessoas falam do ‘acordo do século’ ou uma pátria alternativa. Como? Não podemos opinar?”

Jared Kushner — genro e então conselheiro-chefe de Trump sobre as negociações — então abraçou as demandas de Netanyahu e Bin Salman, mas tornou-se cada vez mais adverso ao governante da Jordânia.

“Trump passou a crer que o rei era um obstáculo ao processo de paz”, observou um ex-oficial de alto escalão da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).

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Embora não haja evidências definitivas de que Trump, Netanyahu e Bin Salman tenham operado para derrubar o monarca jordaniano, suas ações efetivamente o enfraqueceram e encorajaram seus inimigos próximos, argumenta Ignatius.

O artigo sugere que Netanyahu operou nos bastidores, junto de Bin Salman e Kushner, para prejudicar Abdullah. Não obstante, representantes dos serviços de inteligência israelenses Shin Bet e Mossad contactaram pessoalmente o monarca para negar qualquer associação.

Segundo um ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos, o tom assumido pelos órgãos de estado israelenses sugeriu que Netanyahu foi o responsável direto pela conspiração, ao repetir: “Não fomos nós. Não vem de nós”.

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