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Dos espelhos da alma à vaidade contemporânea, a busca da maquiagem

Entrevista com a maquiadora estética Simone Chahin, que está virando influenciadora entre mulheres árabes
Simone Chahin [Foto reprodução Instagram]

A maquiagem tem sua origem no Egito antigo, onde homens e mulheres pitavam os olhos com kohl, uma pasta obtida do mineral malaquita misturado com carvão e cinzas, para protegerem os olhos, já que os olhos eram considerados “espelhos da alma”.

Da função de proteção, hoje, a maquiagem é considerada por uma grande parcela de mulheres, algo para elevar a autoestima e também de poder.

O Monitor do Oriente Médio, conversou com Simone Chahin, brasileira, de origem libanesa e profissional da beleza, que atua na área de maquiagem estética. Suas clientes são na maioria mulheres muçulmanas. Simone interage no instagram, demonstrando seus trabalhos e também revelando aspectos e histórias de sua vida pessoal. Hoje,seu perfil no já conta com quase 13.000 seguidores.

Você mantém ligação com sua origem libanesa?

Sim, vamos para o Líbano, mais ou menos, um ano sim, ano, não. Quando vou costumo ficar na cidade do meu marido um pouco, na cidade da minha mãe um pouco. A cidade do meu marido fica no norte e a minha família fica mais para o sul, no vale do BeKaa.

Quem são suas clientes?

Atendo noivas muçulmanas aqui no Brasil. Em São Paulo sou a única profissional que atende esse tipo de cliente, muçulmanas que usam hijab (véu), que arrumo para o casamento. Atendo também mulheres não muçulmanas, mas em número menor, cerca de 30%.

Como é a interação estética entre a maquiagem e o uso do hijab? Existe alguma diferença para quem não usa o véu?

Não existe diferença, é uma questão de gosto, questão de quem tem mais costume de se maquiar. Há quem use para o dia a dia e outras que gostam mais de maquiagem mais marcada.

Muita gente se preocupa com o que está mais adequado ou modesto, preferindo algo mais mais leve, mais sutil, por conta de usar o hijab. Mas a maioria é vaidosa e gosta de uma maquiagem bem chamativa, bem marcada, mesmo usando o véu.

Quando que você começou a produzir conteúdos online?

Não produzo aquele conteúdo. Mostro mais meu trabalho. Ultimamente estou mostrando mais a minha vida. Aí quando faço algum trabalho, vou postando, apenas mostro meu trabalho.

E como você foi recebida na internet?

Eu comecei com conhecidos, com clientes já; e possuía 2.000 seguidores no começo, o que eu já achava bastante, por serem apenas clientes, amigos e amigos de amigos

E aí eu fiz alguns trabalhos com alguns maquiadores e aí fui ficando um pouco mais conhecida. Faço bastante trabalho com a Carima Orra e como ela tem bastante seguidoras, então aí foi crescendo.

Algumas vezes também trabalhei como modelo também com contrato de permuta.

Já sofreu algum tipo de intolerância na internet por ser muçulmana?

De vez em quando tem alguns comentários, mas são casos isolados, às vezes são perfis fake, que não tem foto, não tem nome, não se sabe quem é a pessoa. E são comentários maldosos do tipo, ” sai do meu país”, coisas assim, né?Percebemos que são pessoas sem informação e sem base nenhuma, mas são casos bem isolados.

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Você acredita que existe alguma diferença de ser influenciadora digital aqui no Brasil e no mundo árabe?

O que influencia eu acho que é a questão da responsabilidade. Por exemplo, tem os Sheiks, as pessoas mais religiosas que estão ali e que também são influenciadoras digitais. Tem o Sheik Jihad. E também as pessoas que mostram o seu dia a dia. E nem sempre tudo é cem por cento correto. O ser humano falha, o ser humano gosta da vaidade, que é um pecado, mas a gente tem que ter muito cuidado quando vai falar disso. Na vestimenta também, as influenciadoras às vezes não usam a vestimenta que é adequada para o Islam. Então, elas tem que deixar isso claro. Eu sou falha, eu sou uma muçulmana em construção, eu tenho vaidade. Eu, como você, como todo mundo peca. Então, precisamos ter muito cuidado nas redes sociais. Porque qualquer coisa é motivo para ser atacada, cancelada.

 

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