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O trabalho me aproxima da parte árabe e religiosa

Entrevista com o palestino Hani Hussein, que fez dos desenhos árabes e religiosos sobre mdf a sua arte.
Hani Hussein na mesquita com o “divisor de ambiente” produzido por ele em MDF. [Foto arquivo pessoal]
Hani Hussein na mesquita com o “divisor de ambiente” produzido por ele em MDF. [Foto arquivo pessoal]

A comunidade palestina do Brasil é grande e diversa, cerca de 60.000 segundo a Fepal, entre eles, imigrantes, refugiados e seus descendentes. Hani Hussein faz parte desse número, filho de palestinos, desenvolve projetos em mdf, cria e executa peças de decoração e utilidades. Vive com a esposa e filhos em Florianópolis, onde tem uma loja de suas peças que podem ser também compradas pela internet.

Hani encontrou em seus trabalhos em mdf mais do que um meio de sobrevivência e sim uma inspiração de vida em ver ideias se transformando em arte e também uma forma de se conectar mais com sua religião.

Suas peças são das mais diversas formas e tamanhos. Para ele, basta uma ideia para que ela possa se materializar. O trabalho é feito primeiro no computador para depois passar para a máquina de corte a laser.

Hani descreve seu trabalho como algo mágico e em entrevista dada ao MEMO, ele fala sobre sua arte e trajetória.

Como começou a fazer trabalhos em MDF?

Sou filho de palestinos, fiquei órfão de pai aos sete anos, fui criado pela minha mãe e por meus tios. Somos em três irmãos. No começo a gente trabalhava somente em família e na sequência a vida foi me arrastando para o caminho do MDF.

Foi por necessidade e sobrevivência, mas no final eu acabei me identificando.

Hoje, dentro do meu trabalho de artesanato, também personalizo peças. Faço corte por encomenda, personalizado. E alguns dos cortes que eu faço são referentes ao Alcorão, às palavras Allah (Deus), Profeta Mohammad, entre outras. Fiz alguns trabalhos desses para várias mesquitas. Sinto que meu trabalho é o que me aproxima mais da minha parte árabe e religiosa.

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Como que você descreve a sua arte?

Acredito que materializo o sonho dos outros. A maioria do meu trabalho é algo convencional, no qual eu compro e vendo muitas das peças. Outras peças eu confecciono e quando a gente passa pro lado da arte, eu materializo para as pessoas o que elas querem. Alguns já trazem os arquivos de corte e outros vem só com a ideia, aí eu ajudo a materializar. É bem gratificante, muito bom ver os meus clientes, satisfeitos, felizes.

Como é o processo de criação?

O trabalho chega a ser mágico, sabe? É um negócio muito bonito. Primeiro trabalhamos a arte e linhas de corte no computador, depois mandamos para a máquina e é mágico, tem cliente meu que chora quando vê a peça. A ideia materializada sempre fica muito bonita, muito legal.

Como está sendo vender em tempos de pandemia?

Eu achei que ia ser melhor em função do “fique em casa”, das pessoas procurarem trabalhos manuais para fazer. Mas não foi isso o que aconteceu. Está sendo tão difícil quanto outros ramos de comércio que estão devagar.

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