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Coalizão saudita ataca capital do Iêmen, em retaliação a supostos atentados houthis

Jato combatente Eurofighter Typhoon, pertencente à Força Aérea da Arábia Saudita [foto de arquivo]
Jato combatente Eurofighter Typhoon, pertencente à Força Aérea da Arábia Saudita [foto de arquivo]

Aviões de guerra da coalizão saudita atingiram alvos em Sanaa, capital do Iêmen, mantida sob governo autônomo dos rebeldes houthis, na última quinta-feira (31), em retaliação a ataques contra a cidade portuária de Aden, no sul do país, no dia anterior.

As informações são da agência Reuters

A coalizão saudita acusou o movimento houthi por planejar e conduzir um ataque contra o aeroporto de Aden, enquanto membros do novo governo iemenita desembarcavam no local.

Um segundo atentado foi executado contra o palácio presidencial de Maasheq, para onde foi escoltada a delegação do governo exilado em Riad.

O Iêmen é assolado pela guerra civil desde 2014, quando rebeldes houthis, ligados ao Irã – rival regional da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos – tomaram grande parte das províncias setentrionais do país, incluindo a capital Sanaa.

A violência escalou em 2015, quando uma coalizão militar saudita decidiu intervir a favor do presidente aliado, Abd-Rabbu Mansour Hadi.

Os ataques aéreos da coalizão, executados no último dia do ano, atingiram o aeroporto de Sanaa e diversos outros pontos estratégicos da capital e arredores. Explosões foram ouvidas e aviões de guerra sobrevoaram áreas civis por horas, relataram residentes da cidade.

A emissora iemenita Masirah, administrada pelos houthis, reportou que os aviões de guerra bombardearam ao menos quinze localidades em diferentes distritos da capital. Não há relatos imediatos sobre baixas.

Ao longo da guerra, ataques aéreos da coalizão saudita resultaram em milhares de mortos, incluindo muitos civis.

Entretanto, tais ofensivas tornaram-se menos comuns nos anos recentes, dado que o conflito chegou a um verdadeiro impasse. Os rebeldes houthis controlam a maioria dos centros populacionais e o governo de Hadi mantém sua base na cidade portuária.

LEIA: Irã condena ataque mortal a aeroporto no Iêmen

A guerra central, não obstante, foi eclipsada por uma disputa de poder entre o governo de Hadi – com apoio da Arábia Saudita e potências ocidentais – e separatistas no sul do país, concentrados em Aden. A monarquia vizinha tenta uní-los para enfrentar os houthis.

Os ataques houthis realizados na quarta-feira (30) mataram ao menos 22 pessoas, além de dezenas de feridos. Em nota, a coalizão alegou abater um drone houthi carregado de explosivos em rota ao palácio presidencial.

“O ataque terrorista e desesperado contra o palácio Maasheq confirma a responsabilidade da milícia terrorista houthi, ligada ao Irã, sobre o atentado anterior contra o Aeroporto Internacional de Aden”, destacou o comunicado saudita.

Não houve resposta imediata dos houthis, que negaram previamente a responsabilidade pela ofensiva no aeroporto.

Aden é devastada por violência e caos devido às disputas entre os separatistas e o governo de Hadi, que instalou-se na cidade após ser expulso de Sanaa pelos houthis, há quase seis anos.

Em abril de 2020, o Conselho de Transição do Sul (CTS), que busca independência em relação ao restante do Iêmen, declarou autonomia na cidade de Aden, incitando confrontos diretos com forças de Hadi e prejudicando os planos de cessar-fogo permanente das Nações Unidas.

O novo gabinete de governo, empossado no exílio, enfim conseguiu reunir oficiais do movimento separatista sob a presidência Hadi, conforme os esforços sauditas para encerrar a rivalidade.

O Primeiro-Ministro do Iêmen Maeen Abdulmalik afirmou que todos os membros da delegação estão “bem” e permanecerão em Aden, a despeito dos ataques.

Três profissionais do Comitê Internacional da Cruz Vermelha também foram mortos na ocasião, reportou a organização humanitária.

Sara al-Zawqari, porta-voz da Cruz Vermelha para o Oriente Médio, relatou que uma dúzia de profissionais da entidade viajavam de Sanaa à República do Djibuti, na região conhecida como Chifre da África, com breve escala em Aden, quando foram atingidos.

“Ainda estamos em choque e tentando processar o que aconteceu”, concluiu Zawqari.

LEIA: 172.000 iemenitas deslocados devido à guerra, em 2020, reporta ONU

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