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Bloqueio israelense resulta em perdas de US$16.5 bilhões à economia de Gaza

Estufas e campos agrários palestinos destruídos por ataques aéreos israelenses, em Gaza, 22 de novembro de 2020 [Mustafa Hassona/Agência Anadolu]
Estufas e campos agrários palestinos destruídos por ataques aéreos israelenses, em Gaza, 22 de novembro de 2020 [Mustafa Hassona/Agência Anadolu]

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que o bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza resultou em US$16.5 bilhões em perdas à sua economia gravemente deteriorada e levou mais de meio milhão de habitantes abaixo da linha da pobreza.

O documento, emitido na quarta-feira (25) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) à Assembleia Geral, cobre o período 2007-2018.

No relatório, a entidade das Nações Unidas exortou a ocupação israelense a encerrar imediatamente o cerco a Gaza, que decorreu no quase colapso das atividades econômicas no território palestino, além de uma taxa de pobreza em 56% da população.

“A situação continuará a piorar, caso o bloqueio continue”, alertou Mahmoud Elkhafif, coordenador de Assistência ao Povo Palestino da UNCTAD. “Este bloqueio injusto, pelo qual dois milhões de palestinos são mantidos dentro de Gaza, tem de ser suspenso imediatamente”.

“[Os palestinos] têm o direito de mover-se livremente, fazer seus negócios, conduzir comércio com o mundo externo e reconectar-se com suas famílias fora de Gaza”, reiterou Elkhafif.

Desde junho de 2007, residentes de Gaza são mantidos sob severo embargo israelense, via ar, mar e terra, que impede o movimento de pessoas mesmo para tratamento médico.

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Sob o opressivo cerco, Israel reduziu a entrada de bens ao mínimo e interrompeu o comércio exterior, salvo casos excepcionais.

O relatório destacou que a população de Gaza tem acesso bastante limitado a água potável e carece de suprimento regular de energia elétrica ou mesmo sistema de esgoto apropriado.

“A menos que os palestinos em Gaza obtenham acesso ao mundo externo, é difícil ver qualquer destino à comunidade local senão o subdesenvolvimento”, afirmou Richard Kozul-Wright, diretor da Divisão de Globalização e Estratégias de Desenvolvimento da UNCTAD.

Prosseguiu: “É realmente chocante que, no século XXI, dois milhões de pessoas ainda possam ser deixadas neste tipo de condição”.

O relatório acrescentou que ao menos 3.793 palestinos foram mortos, aproximadamente 18.000 feridos e mais da metade da população de Gaza foi deslocada pelas três guerras conduzidas por Israel, além de diversas breves invasões, no período de cerco.

Mais de 1.500 empreendimentos comerciais e industriais foram danificados, junto de 150.000 unidades residenciais e infraestrutura pública, incluindo de energia elétrica, água, saneamento básico, saúde, educação e edifícios do governo.

Como resultado do cerco e das guerras sobre Gaza, a taxa de pobreza saltou de 40% em 2007 a 56% em 2017, o que significa que mais de um milhão de palestinos não têm acesso a meios básicos de subsistência.

Segundo o relatório, para trazer este segmento demográfico acima da linha da pobreza, seria preciso uma injeção de recursos no total de US$838 milhões, quatro vezes o valor necessário em 2007.

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Entre 2007 e 2018, a economia em Gaza cresceu menos de 5% e sua participação na economia palestina caiu de 31% a 18%. Como resultado, o PIB per capita encolheu a 27% e a taxa de desemprego chegou a 49% da população local.

A fim de retomar a economia em Gaza, o relatório da UNCTAD incluiu uma série de recomendações, como apelo para permitir que o governo palestino desenvolva sua indústria de petróleo e gás natural, ao explorar livremente seus recursos na costa de Gaza.

“Isso poderia assegurar os recursos necessários para reabilitação, reconstrução e recuperação da economia regional de Gaza, representando impulso significativo à economia e posição financeira da Autoridade Nacional Palestina”, argumentou o relatório.

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