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Estudantes em Israel são forçados a participar de um curso de propaganda sionista como pré-requisito a viagens acadêmicas internacionais

Estudantes em sala de aula na aldeia de Jub El-Thib, em Belém, Cisjordânia, 10 de setembro de 2017 [Mamoun Wazwaz/Agência Anadolu]

O governo israelense está obrigando estudantes do ensino médio a participar de um curso online de propaganda do estado sionista antes de receberem autorização para viagens estudantis internacionais. O curso, segundo informações, promove uma “ideologia racista”.

O centro de direitos humanos Adalah escreveu ao Ministério da Educação exigindo a suspensão imediata desses cursos, após uma escola de Nazaré ter de cancelar um programa de intercâmbio à Suécia ao se recusar a passar as aulas para seus estudantes.

De acordo com o Adalah, o “curso online obrigatório” criado pelas autoridades de ensino israelenses “requer que os estudantes assistam uma série de vídeos depois dos quais têm de participar de uma prova de múltipla escolha; as respostas corretas da prova promovem uma ideologia racista”.

Uma questão, por exemplo, pergunta: “Como organizações palestinas utilizam as redes sociais?”. A resposta correta, segundo a prova, é: “encorajando a violência”.

Outra questão pede aos estudantes que identifiquem as origens do antissemitismo moderno; a resposta correta é “organizações muçulmanas”, além de citar o movimento palestino e internacional de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

O curso online ensina os estudantes que “o antissemitismo na Europa cresceu com a imigração muçulmana… do Oriente Médio, África, Paquistão e Afeganistão.”

“O curso apresenta uma perspectiva ideológica racista que relaciona as identidades palestina, árabe e muçulmana com o terrorismo e a violência, como se fossem equivalentes,” afirma a organização Adalah.

“O exame requer que estudantes árabes-palestinos do ensino médio matriculados no sistema de ensino israelense assimilem seus valores racistas.”

Nareman Shehadeh-Zoabi, advogada do Adalah, enviou também uma carta ao Ministério da Educação em nome da Associação Masar e dos pais das crianças matriculadas na escola da entidade em Nazaré.

Segundo o Adalah, “a escola cancelou sua missão de intercâmbio anual à Suécia durante o ano acadêmico após a efetivação dos novos regulamentos do ministério, pois se recusou a passar este exame a seus estudantes, à medida em que promove uma propaganda racista.”

Na carta, a organização reivindica que o ministério “cancele imediatamente o curso e o exame obrigatórios e permita aos estudantes livre participação em viagens escolares internacionais, a começar no ano escolar de 2019-2020.”

“[Adolescentes árabe-palestinos] estão sendo obrigados a internalizar declarações humilhantes sobre si mesmos e suas famílias”, declarou Shehadeh-Zoabi. “Isto é ultrajante e ilegal.”

“Adalah tomará todas as medidas necessárias para abolir este curso, absolutamente insultante aos cidadãos e estudantes árabes,” acrescentou a advogada.

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