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Família teme tortura caso cidadão egípcio-americano seja extraditado ao Egito

Sherif Osman [haifaa_k/Twitter]
Sherif Osman [haifaa_k/Twitter]

A família do cidadão egípcio-americano Sherif Osman, detido ao visitar sua família nos Emirados Árabes Unidos (EAU), teme as consequências de sua eventual extradição ao Egito. Osman – ex-oficial militar – foi detido por criticar as violações de direitos humanos no país.

Segundo familiares, Osman sofre risco de tortura caso sua custódia seja transferida ao governo de Abdel Fattah el-Sisi.

Osman foi capturado em frente a um restaurante de Dubai, no dia 6 de novembro, por policiais à paisana. Após seis horas, a família foi informada que Sherif estava detido na delegacia central de Dubai e seria transferido à principal penitenciária da região.

O Egito é regularmente denunciado por torturar prisioneiros políticos em retaliação a críticas ao governo. São comuns casos de negligência médica nos presídios do país; muitos presos morrem em custódia.

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Na última semana, um oficial emiradense confirmou à Reuters os preparativos para extradição de Osman ao Egito, após uma solicitação do Cairo.

Em vídeo para o YouTube, publicado em 31 de outubro, Osman clamou por protestos pacíficos contra o governo militar de Sisi, em meio à visita do presidente dos Estados Unidos Joe Biden a Sharm el-Sheikh, durante a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP27).

Associações de direitos humanos acreditam que seu chamado por manifestações civis em 11 de novembro motivou sua prisão.

Osman foi detido após a Interpol emitir um “alerta vermelho” contra ele. O mecanismo permite que estados-membros localizem e apreendam foragidos em nome de outros países. Apelos por reformas surgiram após dissidentes serem extraditados a países que violam direitos, incluindo o Bahrein.

Em fevereiro, o dissidente barenita Ahmed Jaafar Mohammed Ali foi deportado pela Sérvia por meio do sistema de “alerta vermelha”. Mohammed Ali foi espancado após aportar o Bahrein.

Neste ano, o governo egípcio pediu “alerta vermelho” da Interpol contra quatro personalidades de mídia radicadas na Turquia.

Em 2015, o jornalista da Al Jazeera Ahmed Mansour foi preso na Alemanha sob o mecanismo.

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