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Lucros recordes de petróleo e gás em meio à crise energética são imorais, afirma Guterres

Guterres faz discurso na abertura da Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa. [Eskinder Debebe/ONU]

O Grupo de Resposta a Crises Globais em Alimentos, Energia e Finanças, divulgou seu terceiro relatório nesta quarta-feira (03) alertando para a disparada dos preços de energia, que aumenta o custo de vida de milhões de pessoas.

O trabalho, liderado pela secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rebeca Grynspan, foi iniciado em março para coordenar a resposta global aos impactos generalizados da guerra na Ucrânia.

Taxação de lucros

Apesar da situação alarmante exposta no relatório, grandes empresas de petróleo e gás relataram lucros recordes neste ano, o que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, chamou de “imoral”.

Para Guterres, os lucros combinados das maiores empresas de energia no primeiro trimestre deste ano estão perto de US$ 100 bilhões. Assim, ele pediu aos governos que tributem esses lucros excessivos e usem os fundos arrecadados para apoiar as pessoas mais vulneráveis.

O terceiro relatório do grupo recomenda que os governos encontrem formas mais eficazes de financiar soluções de energia, como transferências de dinheiro com financiamento público e políticas de descontos.

Segundo o texto, as iniciativas podem ajudar a proteger comunidades vulneráveis ​​em todos os lugares, inclusive por meio de impostos sobre as maiores empresas de petróleo e gás.

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Ao mesmo tempo, o documento pede uma transição para as energias renováveis.

Acesso à energia

Segundo a ONU, há um medo crescente de que os custos de energia possam prejudicar muitos países em desenvolvimento. Alguns, já estão sofrendo o impacto da crise do custo de vida e experimentando dificuldades no acesso à energia e no progresso no desenvolvimento sustentável desde a pandemia do Covid-19.

O relatório aponta ainda a possibilidade por uma “corrida por combustível” em que apenas os países que pagam os preços mais altos podem ter acesso à energia. O texto acrescenta que os governos precisam de espaço fiscal para apoiar suas populações mais vulneráveis ​​para evitar o agravamento dos níveis de pobreza energética ou a perda total do acesso à energia.

Ao mesmo tempo, sem políticas que equilibrem urgência e sustentabilidade, existe o risco de que políticas energéticas de curto prazo coloquem os países em desenvolvimento no caminho para um futuro energético de alta emissão e altos preços.

A publicação lembra que os planos para o futuro devem proteger os compromissos com o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas.

De acordo com Guterres, não faltam motivos para que os países em desenvolvimento invistam em energias renováveis. Ele lembra que muitos estão vivendo os impactos da crise climática, incluindo tempestades, inundações e secas. Na avaliação do chefe da ONU, o que falta aos países são opções concretas e viáveis.

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Resiliência energética

O texto destaca que a guerra na Ucrânia e a crise global de energia que ela causou são um lembrete da necessidade de resiliência energética e um impulso mais forte para a transição para energia renovável.

No entanto, o relatório aponta que para acelerar a transição, políticas públicas investimentos e materiais para apoiar as energias renováveis ​​precisam estar em vigor e prontamente acessível.

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O resumo enfatiza que quaisquer políticas e medidas de proteção de curto prazo devem ajudar a mitigar a crise, incluindo esforços para promover a eficiência energética e a redução da demanda, e não a agravar, como fariam subsídios para combustíveis fósseis.

Zerar emissões

O levantamento lembra que o mundo precisa dobrar as energias renováveis ​​para atingir as metas de zero líquido, combater a pobreza energética e diversificar a matriz energética global. Para isso, é necessário aumentar significativamente o investimento global.

Para a secretária-geral da Unctad, a energia renovável é muitas vezes a fonte de eletricidade mais barata e mais rápida de implantar em muitos países.

Rebeca Grynspan afirma que para atender a essas condições, é necessário aumentar o financiamento e a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento e carentes em energia do mundo.

De acordo com o resumo, uma transição ambiciosa de energia renovável, que inclui treinamento de habilidades, poderia criar 85 milhões de empregos adicionais no setor de energia renovável e em outras áreas relacionadas à transição energética até 2030.

Publicado originalmente em ONU News

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