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Somam-se apelos por investigação sobre morte de jornalista da Al Jazeera na Cisjordânia

Shireen Abu Akleh in Sheikh Jarrah [Shireennasri/Twitter]

Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Europeia e Organização das Nações Unidas (ONU), entre outros, manifestaram apelos por uma investigação abrangente sobre o assassinato de Shireen Abu Akleh, repórter veterana da rede Al Jazeera, nesta quarta-feira (11), durante uma invasão de tropas israelenses na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada.

Abu Akleh, de 51 anos, foi baleada e morta enquanto cobria a operação israelense no campo de refugiados de Jenin. Seu colega, Ali al-Samoudi, foi atingido nas costas, reportou o Ministério da Saúde da Autoridade Palestina (AP). Al-Samoudi foi internado e permanece estável.

“Fomos alvejados em uma área vazia”, recordou al-Samoudi. “Não houve confrontos, não houve tiroteios, sequer houve quem que atirasse pedras”.

“A bala foi disparada contra um local que não poderia ser protegido por seu colete ou capacete de imprensa”, detalhou Waleed al-Omari, diretor da Al Jazeera em Ramallah. “Aparentemente, Abu Akleh foi baleada por um franco-atirador israelense que queria matá-la”.

“Condeno veementemente o assassinato da repórter da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, atingida com munição real enquanto cobria uma operação de segurança de Israel na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada”, declarou Tor Wennesland, enviado especial da ONU para o “processo de paz” no Oriente Médio, em sua página do Twitter.

LEIA: Haverá apelos por justiça a Shireen Abu Akleh ou Israel continuará seus assassinatos?

“Peço uma investigação imediata e detalhada sobre o episódio e que aqueles responsáveis sejam levados à justiça”, acrescentou. “Trabalhadores de imprensa nunca devem ser alvos”.

Tom Nides, embaixador dos Estados Unidos em Israel, fez coro ao chamado por investigação: “Muito triste saber da morte da jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh da rede Al Jazeera. Encorajo um inquérito abrangente sobre as circunstâncias do incidente, incluindo ao menos outro jornalista ferido, nesta quarta-feira, em Jenin”.

Um apelo semelhante ressoou da Unidade de Assuntos Palestinos da Embaixada dos Estados Unidos em Israel: “Nossos profundos pêsames pela morte da jornalista da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, conhecida de todos nós e de todos os palestinos”.

“Encorajamos uma investigação abrangente sobre sua morte e o ferimento sofrido por um colega jornalista, Ali al-Samoudi”, reiterou o comunicado.

Neil Wigan, embaixador do Reino Unido em Israel, alegou “profundo pesar” pelo falecimento de Abu Akleh e reivindicou uma “investigação rápida, detalhada e transparente”.

“Jornalistas devem poder trabalhar com segurança e liberdade”, escreveu Wigan no Twitter.

A delegação da União Europeia para os territórios palestinos ocupados manifestou “choque pelo assassinato da jornalista da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, que reportava incursões das Forças de Defesa de Israel [FDI] na cidade de Jenin”.

“Expressamos nossa mais profunda condolência a sua família e clamamos por uma investigação rápida e independente para levar os perpetradores à justiça”, prosseguiu a delegação europeia.

Protestos de jornalistas palestinos na Cidade de Gaza, contra o assassinato de sua colega da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, baleada por tropas israelenses na Cisjordânia ocupada, em 11 de maio de 2022 [Ali Jadallah/Agência Anadolu]

No Twitter, Luis Miguel Bueno, porta-voz da União Europeia para Oriente Médio e Norte da África, também reivindicou um inquérito “célere e independente”.

Mais cedo, na quarta-feira, a rede de notícias Al Jazeera, sediada em Doha, capital do Catar, acusou o exército da ocupação israelense de executar Abu Akleh “a sangue frio”.

“Prometemos processar legalmente os perpetradores, não importa o quanto tentem encobrir seu crime, e levá-los à justiça”, declarou a emissora catariana.

Shireen Abu Akleh nasceu em 1971, em Jerusalém ocupada, e possuía cidadania palestina e estadunidense. Graduou-se em jornalismo na Universidade de Yarmouk, na Jordânia.

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