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Refugiados afegãos ficam presos na Síria após Turquia deportá-los

Campo de refugiados em Idlib, Síria, 30 de junho de 2021 [Muhammed Said/Agência Anadolu]
Campo de refugiados em Idlib, Síria, 30 de junho de 2021 [Muhammed Said/Agência Anadolu]

Quatro refugiados afegãos estão presos no noroeste da Síria após a Turquia decidir deportá-los, à medida que novos relatos surgem de uma campanha de repatriação à força de cidadãos sírios a seu país, a despeito de condições de perseguição política.

Os refugiados foram identificados como Khiyali Gul, de 18 anos; Nasratullah, de 22 anos; Safiallah, de 23 anos; e Attaallah, de 25 anos de idade.

De Idlib, os quatro jovens conversaram a rede britânica Middle East Eye e recordaram sua fuga à cidade de Jalalabad, no extremo leste do Afeganistão, após o movimento fundamentalista Talibã retomar o poder, em agosto do último ano.

Eventualmente, os refugiados conseguiram chegar a Ancara, capital da Turquia, onde foram apreendidos e deportados à Síria, através da travessia de fronteira de Khirbet al-Joz. A expatriação ocorreu apesar de insistirem em sua nacionalidade afegã, destacou Nasratullah.

“A polícia nos perseguiu e nos capturou”, acrescentou. “Imploramos que fôssemos enviados à Grécia; disseram que nos enviariam à Grécia ou ao Afeganistão, mas fomos mandados à Síria”.

Após chegarem ao país assolado pela guerra, foram imediatamente detidos pelo Hay’at Tahrir Al-Sham (HTS), grupo de oposição que controla a maior parte de Idlib. Após um mês de prisão, conseguiram enfim convencer o grupo que não serviam a milícias iranianas e que apoiavam a revolução síria. Então, foram libertados.

Desde então, vivem sob tutela de uma rede local de tráfego humano em um abrigo temporário na aldeia de Qah, norte de Idlib, onde tentam encontrar trabalho e poupar algum dinheiro para atravessar a fronteira com a Turquia e prosseguir à Europa.

Os contrabandistas são parte crucial da jornada de refugiados e requerentes de asilo. Segundo Safiullah, o primeiro estágio de sua viagem, entre Afeganistão e Turquia por meio do território iraniano, demorou um mês e custou US$1.100 a cada um dos jovens.

Conforme denúncias, os contrabandistas usam taxas lucrativas para subornar guardas de fronteira ou para atravessar os refugiados em túneis precários.

“Não conseguimos pular o muro da fronteira junto de um aliciador e os guardas atiraram duas vezes contra nós”, observou Nasratullah. “Quando tentamos pela terceira vez, fomos presos e transferidos à Síria, apesar de avisarmos as autoridades que somos afegãos”.

O drama dos quatro jovens afegãos chega às manchetes em um contexto no qual a Turquia é acusada de deportar à força mais de 155 mil sírios aos territórios da oposição, como parte de uma campanha clandestina.

Os refugiados não são os únicos não-sírios expatriados por Ancara ao país vizinho. Nove iranianos estão dentre os requerentes de asilo enviados ao norte da Síria no último ano.

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