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“As forças israelenses continuam a matar crianças palestinas impunemente”, alerta DCIP

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Adolescente palestino de 16 anos, Mohammad Akram Ali Taher Abu Salah, foi morto por forças israelenses no vilarejo Silat al-Harithiya, na Cisjordânia Ocupada, em 14 de fevereiro de 2022 [Reprodução]

A ONG Defense for Children International – Palestine (DCIP) alertou que Israel continua a matar crianças palestinas com uma impunidade sistemática. A declaração foi dada após a morte de Mohammad Abu Salah, de 16 anos, baleado na noite de domingo, em Silat Al-Harithiya. Segundo a DCIP, Mohammad foi a primeira criança palestina morta pelas forças israelenses em 2022; o ano passado, 2021, foi o ano mais mortífero para as crianças palestinas desde 2014.

Um atirador israelense acertou Mohammad Akram Ali Taher Abu Salah, de 16 anos, no olho com munição viva por volta das 22 horas do dia 13 de fevereiro, enquanto as forças israelenses estavam posicionadas na aldeia de Silat Al-Harithiya, perto de Jenin, na Cisjordânia ocupada ao norte, de acordo com a documentação coletada pela DCIP. Mohammad foi transportado em um carro particular para o hospital Ibn Sina em Jenin e foi declarado morto por volta da uma da manhã do dia 14 de fevereiro.

“As forças israelenses continuam a matar crianças palestinas impunemente”, disse Ayed Abu Eqtaish, diretor do programa de prestação de contas do DCIP. “Impunidade sistêmica significa que as forças israelenses podem matar crianças palestinas sem medo de quaisquer consequências”.

A ONG relatou que as forças israelenses entraram na aldeia de Silat Al-Harithiya para demolir a casa de um prisioneiro palestino, uma política que equivale a uma punição coletiva. Atiradores israelenses estavam localizados na entrada oriental da aldeia, onde os moradores se reuniram para protestar contra a incursão. Segundo a organização, após a entrada das forças israelenses no vilarejo, um homem palestino armado atirou nos veículos militares israelenses e conseguiu fugir. As forças israelenses responderam com tiros pesados contra os presentes na área.

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Uma testemunha ocular contou à organização que Mohammad e seu primo, de 17 anos, chegaram ao local pouco tempo depois, após confrontos entre a ocupação e manifestantes palestinos terem diminuído, e então, as forças israelenses subitamente e sem aviso prévio começaram a disparar munições vivas contra os manifestantes, que começaram a fugir. Um atirador israelense  atirou no olho de Mohammad a aproximadamente 250 metros de distância, enquanto ele e seu primo tentavam fugir. O primo de Mohammad foi baleado na mão esquerda quando se aproximou de Mohammad para prestar socorro. As testemunhas informaram que os dois meninos não estavam participando de nenhum confronto quando foram atingidos.

Os transeuntes levaram Mohammad para o hospital Ibn Sina, na cidade de Jenin, em um carro particular, mas ele não resistiu e foi declarado morto por volta da 1 da manhã do dia 14 de fevereiro.

Segundo os dados coletados pela organização, Mohammad é a primeira criança palestina morta pelas forças israelenses em 2022. No ano passado, 78 crianças palestinas foram mortas por forças israelenses e civis armados; 2021 foi o ano mais mortífero para as crianças palestinas desde 2014.

“Segundo o direito internacional, a força letal intencional só se justifica em circunstâncias em que exista uma ameaça direta à vida ou de ferimentos graves. Entretanto, investigações e provas coletadas pelo DCIP regularmente sugerem que as forças israelenses usam força letal contra crianças palestinas em circunstâncias que podem equivaler a mortes extrajudiciais ou intencionais”, declara a organização.

As autoridades israelenses implementaram uma política punitiva de demolição de casas contra palestinos, que supostamente teriam cometido ou tentado cometer um ataque contra civis ou soldados israelenses, destruindo mais de 2.000 casas palestinas desde 1967. Embora as autoridades israelenses tenham cessado as demolições punitivas de casas em 2005, a política foi renovada em meados de 2014, segundo o B’Tselem. As demolições punitivas de casas contra palestinos equivalem a punições coletivas, em violação ao direito internacional.

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