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Bolsonaro diz que arma no campo é liberdade

Em um evento de lançamento do Circuito de Negócios Agro do Banco do Brasil, ocorrido na segunda-feira 17, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso de armas no campo como uma forma de tranquilizar ruralistas. “O homem do campo passou a poder usar a sua arma em toda a sua propriedade.”

Após defender o livre porte de armas durante a campanha eleitoral, Bolsonaro cumpriu a promessa de facilitar o acesso sancionando, em 2019, um projeto de lei que flexibilizou as exigências para a posse de arma em propriedades rurais. Pelas regras anteriores do Estatuto do Desarmamento, os integrantes e moradores de uma fazenda só podiam manter armas dentro da sede da propriedade. Com a norma aprovada, os fazendeiros e seus “funcionários” passaram a ter direito de andar armados em toda a extensão das suas terrasl, independente do tamanho da propriedade.

No governo de Jair Bolsonaro, os assassinatos ocorridos em conflitos no campo aumentaram.

Em 2019, primeiro ano sob sua gestão, o Brasil registrou 1.833 conflitos no campo, o número mais elevado dos últimos cinco anos e 23% superior ao de 2018. O relatório da Comissão Pastoral da Terra mostrava 32 assassinatos, o que representa quatro casos a mais do que no ano anterior. Desse total, 28 estavam associados a disputas por terra, três a conflitos trabalhistas e uma à disputa por água.

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Ao menos 103 pessoas, sendo 101 indígenas Yanomami, já morreram em decorrência de conflitos no campo em 2021.  A CPT divulgou um relatório parcial de janeiro a agosto, e nele já estavam registradas 103 mortes, sendo 101 indígenas Yanomani, um aumento  1.044% em relação ao ano passado. O número de assassinatos no campo foi de 26 casos, 30% a mais do que no período em 2020.

Entre as vítimas, 8 eram indígenas, 6 sem-terra, 3 posseiros, 3 quilombolas, 2 assentados, 2 pequenos proprietários e 2 quebradeiras de coco babaçu, de acordo com o relatório divulgado pelo site De Olho nos Ruralistas.

Ao discursar para o agronegócio, Bolsonaro criticou o MST e se vangloriou de agir contra o movimento: “Nós praticamente anulamos a ação do MST tirando dinheiro de ONGs que iam para o MST. Distribuímos mais títulos que nos últimos 20 anos, diminuindo a força daqueles que estavam num processo de reforma agrária que nunca saía”, declarou.

Além do apoio ao uso de armas, Bolsonaro mencionou o alívio na aplicação das multas ambientais, antes utilizadas para compensar áreas desmatadas ou degradadas por ação humana. De acordo com ele, o agronegócio parou de ter problemas, depois que ele reduziu drasticamente o número de multas aplicadas a propriedades rurais . “Paramos de ter grandes problemas com a questão ambiental, especialmente no tocante à multa. Tem que existir? Tem. Mas conversamos e nós reduzimos em mais de 80% as multagens no campo”, disse Bolsonaro.

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