Portuguese / Spanish / English

Middle East Near You

Artistas pedem o fim imediato dos ataques israelenses a grupos palestinos de direitos humanos

Fotos de Richard Gere, Tilda Swinton, Mark Ruffalo e Caire Foy [Reprodução]

Mais de cem artistas e figuras públicas assinaram uma carta criticando Israel pela designação, em 19 de outubro, de seis importantes organizações palestinas dos direitos humanos como terroristas, que chamaram de “um ataque sem precedentes e generalizado aos defensores dos direitos humanos palestinos”. As celebridades exortam a comunidade internacional a “proteger os defensores dos direitos humanos palestinos” e exigem que “Israel rescinda imediatamente as designações terroristas”.

Entre dezenas de signatários estão os atores Richard Gere, Tilda Swinton, Susan Sarandon, Mark Ruffalo, Mark Rylanc, Eric Canton, Simon Pegg e Claire Foy; os músicos Laurie Anderson, Roger Waters, David Byrne, Jarvis Cocker e Massive Attack; os diretores Kleber Mendonça Filho, Laura Poitras, Jim Jarmusch, Costa Gravas e Apichatpong Weerasethakul; e os autores Philip Pullman, Naomi Klein, Irvine Welsh, Colm Tóibín e Monica Ali.

A carta enfatiza que, “apesar da condenação internacional pela ONU, grupos internacionais de direitos humanos e funcionários do governo, a ocupação israelense dobrou em sua repressão e emitiu uma ordem militar que ilegaliza, inteiramente, as seis organizações palestinas na Cisjordânia”.

“As designações visam seis dos mais eminentes defensores dos direitos humanos palestinos engajados no trabalho crítico dos direitos humanos e cobrem todos os aspectos da sociedade civil no Território Palestino Ocupado (OPT)”, diz a declaração. “O trabalho vital dessas seis organizações para proteger e dar poder aos palestinos e responsabilizar Israel por suas graves violações dos direitos humanos e pelo regime de apartheid de discriminação racial institucionalizado é precisamente o trabalho que Israel está tentando terminar”.

LEIA: Estrela de Hollywood diz que conceito de Israel é ‘antiquado’ e se alimenta de mentiras

A carta prossegue alertando que a designação das organizações como “grupos ‘terroristas’ e a ordem militar que as proíbe coloca em risco iminente à segurança das organizações e de seu pessoal. A ordem militar permite que as forças de ocupação israelenses invadam seus escritórios, os fechem à força, prendam arbitrariamente seu pessoal para serem julgados sob tribunais militares israelenses e instituam outras represálias, incluindo proibições de viagem e revogações de residência contra seus membros”.

“A ameaça de retaliação é real e coloca em risco não apenas as próprias organizações, mas toda a sociedade civil palestina e as dezenas de milhares de palestinos que servem todos os dias”, diz a declaração.

O músico inglês Peter Gabriel afirmou que “aqueles suficientemente corajosos e comprometidos em proteger nossos direitos humanos, como são estas seis organizações, especialmente em situações difíceis e perigosas, devem ser defendidos”.

O produtor musical Brian Eno afirmou que a designação “está além da crueldade. É selvajaria, barbárie…”.

“O fracasso de décadas dos governos em responsabilizar Israel por sua repressão contra os palestinos levou a esta situação”, afirmou o autor e ex-ministro da Fazenda da Grécia, Yanis Varoufakis. “A comunidade internacional deve se manifestar e sancionar Israel, agora”.

LEIA: Terrorismo de Israel contra ONGs de Direitos Humanos

“A Anistia Internacional e a Human Rights Watch têm razão quando dizem que este é ‘um ataque de Israel ao movimento internacional de direitos humanos’”, comentou o cineasta britânico, Ken Loach.“Quando o governo israelense será responsabilizado por seus crimes? Os líderes políticos não podem alegar apoiar o Estado de direito e depois fazer acordos com Israel quando sua opressão racista contra os palestinos é clara para todos verem”.

“Quando os governos começam a fechar as organizações de direitos humanos, duas perguntas simples ressoam em nossos ouvidos… O que eles estão escondendo? Do que eles estão com medo? As respostas são sempre reveladoras”, afirma o roteirista Paul Laverty.

A premiada romancista britânico-paquistanesa, Kamila Shamsia, autora de ‘Sombras marcadas’ e ‘Lar em chamas’, declarou:

“Há muitos anos, escritores, pensadores e defensores dos direitos humanos palestinos vêm apelando para uma solidariedade significativa das pessoas ao redor do mundo. O mínimo que podemos fazer é ouvir, amplificar suas vozes e, sobretudo, recusar-se a ser cúmplice do sistema que tão cruelmente os oprime”.

Os 114 signatários da declaração são:

Kevin Macdonald, diretor de cinema, Reino Unido; Peter Gabriel, músico, fundador, Festival Womad, Reino Unido; Mike Leigh, diretor de cinema, Reino Unido; Jodie Evans, produtora de filmes, EUA; Robert Wyatt, músico, Reino Unido; Alfreda Benge, artista, Reino Unido; Aki Kaurismaki, diretor de cinema, Finlândia; Liam Cunningham, ator, Irlanda; Susan Sarandon, atriz, EUA; Ece Temelkuran, autor, Turquia; Tilda Swinton, atriz, Reino Unido; Jim Jarmusch, diretor de cinema, EUA; Laura Poitras, diretora de cinema, EUA; Simon Fisher Turner, músico, Reino Unido; Iciar Bollain, diretor de cinema, Espanha; Kleber Mendonça Filho, diretor de cinema, Brasil; Julie Christie, atriz, Reino Unido; V (anteriormente conhecida como Eve Ensler), dramaturga, EUA; Mark Ruffalo, ator, EUA; Philip Pullman, autor, Reino Unido; Stephen Dillane, ator, Reino Unido; Brian Eno, artista, Reino Unido; Roger Waters, músico, Reino Unido; Ken Loach, diretor de cinema, Reino Unido; Paul Laverty, escritor, Reino Unido; Yann Martel, autor, Canadá; AL Kennedy, autor, Reino Unido; Naomi Klein, autora, Canadá; Robert Guediguian, diretor de cinema, França; Asif Kapadia, diretor de cinema, Reino Unido; Juliet Stevenson, atriz, Reino Unido; Yanis Varoufakis, autor, Grécia; Peter Kosminsky, roteirista e diretor, Reino Unido; Titi Robin, músico, França; Etienne Balibar, filósofo, França; Harriet Walter, atriz, Reino Unido; Apichatpong Weerasethakul, diretor de cinema, Tailândia; Bella Freud, artista, Reino Unido; David Michôd, diretor de cinema, Austrália; Claire Foy, atriz, Reino Unido; Mark Rylance, ator, Reino Unido; Alfonso Cuaron, diretor de cinema, México; Thurston Moore, músico, EUA; Jeremy Deller, artista, Reino Unido; Kamila Shamsie, autora, Reino Unido; Monica Ali, autora, Reino Unido; Eric Cantona, ator, França; Phil Manzanera, músico, Reino Unido; Laurie Anderson, artista, EUA; Michèle Gavras, produtora, França; Annemarie Jacir, diretora de cinema, Palestina; Costa Gavras, diretor de cinema, Grécia; Juan Diego Botto, ator e dramaturgo, Espanha; Alberto San Juan, ator e dramaturgo, Espanha; Carlos Bardem, ator e escritor, Espanha; Residente (René Pérez), cantor, artista, escritor, diretor de cinema, Porto Rico; Irvine Welsh, autor, Reino Unido; Tunde Adebimpe, músico, EUA; David Byrne, músico, EUA; Ohal Grietzer, músico, Israel; Tai Shani, artista visual, Reino Unido; Hany Abu-Assad, diretor de cinema, Palestina; Simon Pegg, ator, Reino Unido; David Mitchell, autor, Reino Unido; Mira Nair, diretora de cinema, Índia; Jarvis Cocker, músico, Reino Unido; Fisher Stevens, diretor, EUA; Leopoldo Gout, artista, EUA; Julio Pérez del Campo, diretor de cinema, Espanha; Alain Damasio, autor, França; Sidi Larbi Cherkaoui, coreógrafo, Bélgica; Joe Sacco, desenhista de quadrinhos, jornalista, EUA; Mercè Sampietro, ator, Espanha; Ian McEwan, autor, Reino Unido; Colm Tóibín, autor, Irlanda; Elaine Mokhtefi, tradutora, EUA; Madeleine Thien, autora, Canadá; Eliot Weinberger, autor, EUA; Sabrina Mahfouz, dramaturga e poetisa, Reino Unido; Joel Bein, professor, EUA; Omar Robert Hamilton, autor, Reino Unido; John Oakes, editor, EUA; Mary Jane Nealon, poetisa, EUA; Rachel Kushner, autora, EUA; Lina Meruane, autora, Chile; Naomi Wallace, dramaturga, EUA; Rashid Khalidi, autor, Palestina; Ben Ehrenreich, autor, EUA; Adam Shatz, Escritor, London Review of Books, EUA; Farid Matuk, poeta, EUA; Michel Moushabeck, editor, EUA; Eileen Myles, poetisa, EUA; Lila Abu-Lughod, Professora, EUA; Natalie Diaz, poetisa, EUA; Andrew Ross, Universidade de Nova York, EUA; Zeina Azzam, poetisa, EUA; Bernardine Dohrn, defensora dos direitos humanos, EUA; Molly Crabapple, autora, EUA; Jeffrey Sachs, Professor Universitário da Universidade de Columbia, EUA; Bruce Robbins, autor, EUA; Shuchi Saraswat, autor, EUA; James Schamus, roteirista e produtor, EUA; Nancy Kricorian, escritora, EUA; Jacqueline Rose, autora, Reino Unido; Andrew O’Hagan, autor, Reino Unido; Hannah Khalil, dramaturga, Irlanda; Ritu Menon, editora, Índia; Janne Teller, autora, Dinamarca; Nicholas Blincoe, autor, Reino Unido; Rick Simonson, Livraria, EUA; Brigid Keenan, autora, Reino Unido; Massive Attack, banda, Reino Unido; Chipo Chung, ator, Reino Unido; Richard Gere, ator, EUA

LEIA: A violência dos colonos e a teia impenetrável da impunidade de Israel

Categorias
América LatinaÁsia & AméricasBrasilEstados UnidosEuropa & RússiaIsraelNotíciaOriente MédioPalestinaReino Unido
Show Comments
Expulsão dos Palestinos, O conceito de 'transferência' no pensamento político sionista (1882-1948)
Show Comments