clear

Criando novas perspectivas desde 2019

Sessão política em São Paulo condena lei de execução de prisioneiros palestinos e pede ação internacional urgente

27 de abril de 2026, às 11h12

Seminário na Assembleia Legislativa de S. Paulo discute a situação dos presos políticos palestinos e as ameaças de execução. Em 22 de abril de 2026

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sediou uma sessão política especial sobre a situação dos prisioneiros palestinos, organizada pelo Fórum Latino Palestino, em memória do Dia do Prisioneiro Palestino e em repúdio à lei de execução de prisioneiros palestinos nas prisões israelenses.

A atividade teve início com a execução dos hinos nacionais da Palestina e do Brasil, em um momento simbólico que refletiu a convergência de valores humanos e de justiça entre os povos. Em seguida, foi exibido um vídeo documental que apresentou a realidade dos prisioneiros palestinos e as graves violações cometidas nas prisões israelenses, incluindo isolamento solitário, negligência médica e restrição de direitos básicos, em clara violação do Direito Internacional Humanitário.

Participação Política e Internacional

O seminário contou com significativa participação política e internacional, incluindo a presença da ex-deputada argentina e membro do Parlamento do Mercosul, Julia Argentina Perié, que enfatizou em seu discurso a necessidade de a comunidade internacional assumir suas responsabilidades na proteção dos direitos dos prisioneiros e rejeitar qualquer legislação que viole o direito à vida. Ela também alertou sobre o aumento da retórica e das políticas alinhadas com as posições israelenses em alguns países da América Latina, apontando para o que descreveu como a reaproximação política entre o atual governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, e o governo israelense, bem como as implicações disso para suas posições sobre a causa palestina.

Por sua vez, a ativista Suraya Musleh, coordenadora do grupo “Palestina Forte” em São Paulo, destacou a importância do papel das comunidades e instituições civis no Brasil e na América Latina na defesa da causa palestina e na inclusão das vozes dos presos em fóruns internacionais. Em seu discurso, ela também abordou a situação dos presos palestinos de origem brasileira em prisões israelenses, destacando diversos casos de detenção prolongada, bem como as prisões de figuras acadêmicas e médicas durante a guerra na Faixa de Gaza, incluindo o Dr. Hossam Abu Safiya.

Uma intervenção de dentro do cárcere

Em um momento comovente, a ex-prisioneira palestina e uma das detentas que passou mais tempo em prisões israelenses, Nael Barghouti, dirigiu-se à nação por meio de uma mensagem em vídeo, apelando a parlamentares e tomadores de decisão, instando-os a exercer forte pressão internacional sobre Israel para revogar a lei que autoriza a execução de prisioneiros.

Barghouti afirmou que essa legislação constitui uma grave violação do direito internacional e uma ameaça direta ao direito à vida, enfatizando que os prisioneiros palestinos enfrentam condições humanitárias extremamente severas dentro das prisões, o que exige uma ação urgente da comunidade internacional.

Ela também destacou que a questão dos prisioneiros não é simplesmente uma questão humanitária, mas representa o cerne da luta pela liberdade e dignidade do povo palestino, apelando para que a solidariedade internacional se traduza em medidas concretas e posicionamentos políticos claros que contribuam para o fim dessas violações.

Dimensões Acadêmicas e Jurídicas

Por sua vez, Arlene Clemesha, professora de História Árabe Contemporânea e Diretora do Centro de Estudos Palestinos da Universidade de São Paulo, apresentou uma análise aprofundada das dimensões históricas e jurídicas das políticas de detenção israelenses, afirmando que essas políticas fazem parte de um sistema mais amplo de violações sistemáticas que exigem uma genuína responsabilização internacional.

Palavra  do Fórum

Mohamed Al-Qadri, Presidente do Fórum Palestino-Americano, afirmou que a organização deste seminário em uma instituição legislativa brasileira acarreta significativas implicações políticas e reflete a crescente atenção internacional à questão dos prisioneiros palestinos.

Ele enfatizou a necessidade de unificar os esforços de instituições e comunidades na América Latina e de fortalecer a ação conjunta nos âmbitos político e midiático para confrontar essa legislação perigosa e defender os direitos dos prisioneiros.

Interação com o Público

O seminário foi encerrado com uma sessão de abertura para intervenções de representantes de instituições e membros da comunidade, que expressaram sua solidariedade aos prisioneiros palestinos.

Nota de Esclarecimento

A defesa dos prisioneiros palestinos foi alvo de crítica de apoiadores de Israel, com declarações que mereceram o repúdio do FLP, através de uma  nota de esclarecimento, afirmando que a defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e do debate dentro de instituições democráticas constitui um dos pilares fundamentais da sociedade brasileira, valores que orientam suas iniciativas.

O Fórum informa que acompanha as declarações recentemente divulgadas a respeito da sessão política realizada na ALESP,  dedicada à discussão da situação dos prisioneiros palestinos à luz do direito internacional e dos direitos humanos. E ressalta que a referida atividade foi organizada em conformidade com os marcos legais e institucionais vigentes, contando com a participação de personalidades políticas, acadêmicas e da sociedade civil, e teve como objetivo central dar visibilidade a questões estritamente humanitárias relacionadas aos direitos e à dignidade dos prisioneiros.