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Milhares de afegãos fogem diariamente ao Irã, alerta grupo de direitos humanos

Afegãos são deportados do Irã na fronteira com o Afeganistão, em 19 de outubro de 2021 [HOSHANG HASHIMI/AFP via Getty Images]
Afegãos são deportados do Irã na fronteira com o Afeganistão, em 19 de outubro de 2021 [HOSHANG HASHIMI/AFP via Getty Images]

Entre quatro mil e cinco mil refugiados fogem diariamente ao Irã desde a tomada do Afeganistão pelo movimento Talibã, no último mês de agosto, advertiu nesta quarta-feira (10) o Conselho de Refugiados da Noruega (NRC).

“Muitos afegãos contaram a parentes que estão a caminho de Teerã e querem prosseguir à Europa”, observou Jan Egeland, secretário-geral do NRC, após visitar refugiados na província de Kerman, no leste do território iraniano.

“A Europa, portanto, não deveria estar tão preocupada com alguns milhares de refugiados sentados na fronteira entre Polônia e Belarus”, acrescentou Egeland.

Segundo o NRC, cerca de 300 mil afegãos fugiram do país desde a ascensão do Talibã.

LEIA: Belarus busca violência ao empurrar refugiados à Europa, afirma Polônia

“Não há economia, há pouquíssima assistência, pouquíssimo abrigo e pouquíssima comida para milhões e milhões em necessidade”, enfatizou o diplomata norueguês.

Em contrapartida, Egeland elogiou o Irã por receber milhões de refugiados nas últimas quatro décadas e pediu solidariedade da comunidade internacional. “Como é possível esperar que Teerã abrace essa responsabilidade sozinho?”, reafirmou.

O chefe da entidade de direitos humanos exortou ainda os países ricos a garantir assistência ao Afeganistão e seus vizinhos — “antes da chegada de um inverno terrível”.

Na terça-feira (9), o Ministro do Interior do Irã Ahmad Vahidi afirmou que seu país recebe milhares de pessoas em sua fronteira, todos os dias, e alertou para uma nova onda migratória em direção à Europa, caso não seja concedida qualquer ajuda.

Nas últimas semanas, a União Europeia voltou sua atenção à chegada de requerentes de asilo à sua divisa oriental com Belarus. Arame farpado e soldados poloneses impedem a travessia.

Ao prometer novas sanções, os 27 embaixadores do bloco descreveram o fluxo migratório proveniente do território bielorrusso como “guerra híbrida”, conduzida pelo ditador Alexander Lukashenko, como retaliação a denúncias de direitos humanos.

Com endosso de Moscou, o regime bielorruso, por sua vez, responsabiliza a Europa e os Estados Unidos pelo sofrimento das pessoas isoladas na fronteira.

A crise deflagrou-se após serem impostas sanções contra Belarus por Estados Unidos, União Europeia e Grã Bretanha, devido à violenta repressão contra protestos populares por democracia, após a “vitória” de Lukashenko nas eleições de 2020.

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