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Sudão confisca terras e negócios que ‘apoiam Hamas’

O chefe exilado do Hamas Khaled Meshaal (R) senta-se ao lado do ex-presidente sudanês Omar al-Beshir durante a abertura da oitava conferência da Fundação Internacional Al-Quds (Jerusalém) na capital sudanesa Cartum em 6 de março de 2011 [EBRAHIM HAMID / AFP via Getty Images ]

Autoridades sudanesas assumiram controle sobre recursos produtivos ao acusar seus proprietários de conceder apoio ao movimento palestino Hamas.

As informações são da agência Reuters.

A campanha de apreensão contra ao menos uma dúzia de empresas locais busca acelerar a reaproximação entre Cartum e Ocidente, desde a queda do longevo ditador Omar al-Bashir, em abril de 2019, segundo as informações.

Em 2020, o governo transicional sudanês conseguiu ser retirado da lista de países patrocinadores do terrorismo, compilada por Washington, em troca da normalização com Israel, sob esforços do então presidente americano Donald Trump.

Além disso, o Sudão negocia a isenção de mais de US$50 bilhões em dívida externa.

Neste contexto, o Hamas perdeu uma base no exterior onde apoiadores poderiam residir, trabalhar e enviar recursos a Gaza, alertaram analistas sudaneses e palestinos.

Os bens apreendidos — detalhados por oficiais de Cartum e uma fonte da inteligência ocidental — demonstram a extensão das redes agora combatidas.

De acordo com a força-tarefa reunida para desmantelar estruturas do antigo regime, o embargo abrange imóveis, empresas no mercado de ações, um hotel em local privilegiado na capital, uma firma de câmbio e mais de dez milhões de acres de terras.

Segundo Wagdi Salih, membro influente da força-tarefa, o Sudão tornou-se ao longo das décadas centro de lavagem de dinheiro e financiamento para o “terrorismo”.

“O sistema era uma grande fachada, uma grande rede interna e internacional”, afirmou.

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A fonte ocidental insistiu ainda que alguns métodos de crime organizado foram adotados no país: empresas comandadas por acionistas fiduciários, pagamento de aluguéis em dinheiro vivo e transferências feitas ao exterior via empresas suspeitas.

Bashir era apoiador público do Hamas e se apresentava como amigo de seus líderes.

“[O Hamas] obteve tratamento preferencial em leilões públicos e medidas de isenção fiscal, e podiam transferir recursos ao movimento e a Gaza sem qualquer limite”, declarou outro membro da força-tarefa, em condição de anonimato.

Em 2020, sob pressão dos Estados Unidos, o Sudão juntou-se aos Emirados Árabes Unidos e Bahrein para normalizar relações com a ocupação israelense.

Um ex-diplomata americano que trabalhava no país norte-africano sob a gestão Trump observou que eliminar a suposta rede do Hamas era prioritário às negociações: “Estávamos arrombando uma porta aberta”, comentou a fonte.

Washington concedeu a Cartum uma lista de empresas a serem fechadas, segundo as informações; o Departamento de Estado recusou-se a comentar.

Os líderes transicionais sudaneses “consideram a si mesmos a exata antítese de Bashir em termos regionais”, argumentou o analista local Magdi el Gazouli. “Eles querem se vender como parte da nova ordem de segurança na região”.

“O golpe contra Bashir causou problemas concretos a Hamas e Irã”, destacou o analista palestino Adnan Abu Amer, em referência à queda do ex-presidente sudanês nas mãos do exército, após meses de protestos populares.

“Hamas e Irã tiveram de buscar alternativas — alternativas indisponíveis porque a queda de Bashir foi relativamente súbita”, acrescentou.

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