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Usuários da Apple devem atualizar aparelhos contra spyware de Israel

Telefone celular, 6 de setembro de 2016 [Flickr]

Usuários de produtos Apple — incluindo celulares, tablets e relógios inteligentes — devem atualizar seus aparelhos para protegê-los do spyware israelense Pegasus, desenvolvido pela empresa israelense NSO Group, descrita como corporação “mercenária”.

O alerta foi emitido nesta segunda-feira (13) pelo chamado Citizen Lab — órgão interdisciplinar da Escola Munk de Assuntos Públicos e Globais, na Universidade de Toronto, Canadá —, um dia antes da divulgação do último modelo de telefone Apple.

O alerta foi emitido após a descoberta da vulnerabilidade durante perícia realizada em um telefone infectado pelo Pegasus, pertencente a um ativista saudita.

Spyware Pegasus — arma global de Israel para silenciar críticos? [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

“Descobrimos um ataque de dia zero e clique zero contra o aplicativo iMessage”, denunciou o Citizen Lab — isto é, uma invasão imediata que não demanda interação do usuário.

“O ataque, que chamamos de FORCEDENTRY [entrada forçada], têm como alvo a biblioteca de renderização de imagens da Apple e é eficiente contra plataformas Apple iOs, MacOS e WatchOS”, acrescentou o relatório.

Com efeito, a descoberta significa que todos os aparelhos Apple são suscetíveis à invasão ilegal da empresa israelense.

“Observamos que a empresa mercenária NSO utilizou a vulnerabilidade para atacar remotamente e infectar os mais recentes aparelhos Apple”, explicou o Citizen Lab, ao advertir ainda que a falha de segurança é explorada ao menos desde fevereiro.

Após ser notificada sobre os ataques sistêmicos a seus produtos, a Apple desenvolveu uma atualização para solucionar o problema. “Exortamos os leitores a atualizar todos os seus aparelhos Apple imediatamente”, enfatizou o Citizen Lab.

A denúncia ainda reiterou: “O NSO Group facilita mecanismos de ‘despotismo como serviço’, ao prover ferramentas a agências de segurança públicas sem regulamentação”.

Há cerca de um mês, um dos maiores escândalos de hackeamento global veio à tona, envolvendo a empresa israelense e seu software Pegasus.

Cerca de 50 mil números de telefone foram selecionados para vigilância sob tecnologia israelense, segundo o projeto investigativo que revelou os ataques — uma colaboração de mais de 80 jornalistas e 17 organizações de mídia de dez países.

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O trabalho do chamado Pegasus Project foi coordenado pela organização Forbidden Stories, sediada em Paris, e pela rede de direitos humanos Anistia Internacional.

Há ainda receios de uso de ferramentas do NSO Group na conspiração que resultou no assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoogi, dentro do consulado da monarquia em Istambul, Turquia, em outubro de 2018.

A execução brutal do dissidente de 59 anos deixou uma trilha de evidências, incluindo o uso do spyware israelense por Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita, para monitorar pessoas próximas à corte.

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