Portuguese / Spanish / English

Middle East Near You

Cerca de 50 mil telefones foram selecionados em escândalo global de hackers envolvendo o Grupo NSO de Israel

Edifício que abriga o grupo israelense NSO, em 28 de agosto de 2016, em Herzliya, perto de Tel Aviv [Jack Guez/AFP/Getty Images]

O notório spyware israelense desenvolvido pelo Grupo NSO, Pegasus, está no centro de um escândalo internacional envolvendo a suposta invasão de telefone de mais de 180 jornalistas, advogados e ativistas de direitos humanos de todo o mundo, com o objetivo de espionagem por regimes autoritários, incluindo os Emirados Árabes e a Arábia Saudita. A escala da invasão, entretanto, descoberta a partir de dados vazados, provavelmente será muito maior.

Cerca de 50.000 números de telefone teriam sido selecionados para vigilância usando a tecnologia de espionagem israelense, de acordo com detalhes da investigação que descobriu a invasão do Projeto Pegasus, uma colaboração inovadora de mais de 80 jornalistas de 17 organizações de mídia em dez países. O trabalho do grupo foi coordenado por Forbidden Stories, uma organização de mídia sem fins lucrativos com sede em Paris, e a Anistia Internacional.

Entre os alvos estavam algumas das principais empresas de mídia do mundo, incluindo Financial Times, Wall Street Journal, CNN, New York Times, Al Jazeera, France 24, Radio Free Europe, Mediapart, El País, Associated Press, Le Monde, Bloomberg, Agence France-Presse, The Economist, Reuters e Voice of America. Mais detalhes sobre quem foi o alvo são esperados nos próximos dias.

LEIA: Empresa cibernética de Israel vende spyware do iPhone para a Arábia Saudita

O Grupo NSO ganhou notoriedade após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi há quase três anos. Membros de seu círculo íntimo foram alvejados pelo spyware israelense, que se tornou a arma preferida dos autocratas contra críticos e figuras da oposição. Uma infecção Pegasus bem-sucedida permite o acesso a todos os dados armazenados no dispositivo. Um ataque a um jornalista, por exemplo, poderia expor as fontes confidenciais de um repórter, bem como permitir que o cliente do governo da NSO leia suas mensagens, colete sua agenda de endereços, ouça suas chamadas, rastreie seus movimentos precisos e até mesmo grave suas conversas ativando o microfone do dispositivo e Câmera.

Onde está Jamal Khashoggi? [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Nos anos desde a morte de Khashoggi, os perigos do spyware do Grupo NSO foram destacados por organizações de direitos humanos. Eles alertaram que o Pegasus estava sendo usado para atingir ativistas de direitos humanos, jornalistas e funcionários do governo em diversos locais como México, Marrocos e Índia. Um documentário da Al Jazeera também revelou que a empresa israelense estava vendendo secretamente seu spyware para Bangladesh por meio de uma gangue criminosa.

Apesar do amplo conhecimento do uso nefasto da tecnologia do Grupo NSO, a escala do hacking foi uma surpresa com o potencial de que cerca de 50.000 números de telefone estavam sendo submetidos à espionagem. Esse número foi encontrado em uma lista de possíveis alvos nos dados vazados e não significa necessariamente que todos os telefones foram submetidos a uma operação de hacking bem-sucedida.

A investigação da Forbidden Stories e da Amnistia Internacional identificou pelo menos dez governos considerados clientes da NSO: Azerbaijão, Bahrein, Cazaquistão, México, Marrocos, Ruanda, Arábia Saudita, Hungria, Índia e Emirados Árabes. Eles são considerados alguns dos regimes mais autoritários do mundo.

O Projeto Pegasus mostra como o spyware da NSO é a arma preferida de governos repressivos que buscam silenciar jornalistas, atacar ativistas e esmagar dissidentes, colocando inúmeras vidas em perigo

Callamard trabalhou anteriormente como a investigadora da ONU que liderou o inquérito sobre a morte de Khashoggi. Seu relatório concluiu que havia “evidências credíveis” de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Bin Salman, e altos funcionários sauditas foram responsáveis ​​pelo assassinato do jornalista, que vivia exilado na América.

Rejeitando a alegação da empresa israelense de que o hackeamento foi exagerado, Callamard disse: “Essas revelações acabam com quaisquer alegações da NSO de que tais ataques são raros e chegam ao uso desonesto de sua tecnologia. Enquanto a empresa afirma que seu spyware é usado apenas para criminosos legítimos e investigações de terror, está claro que sua tecnologia facilita o abuso sistêmico. Eles pintam um quadro de legitimidade enquanto lucram com as violações generalizadas dos direitos humanos”.

LEIA: Funcionário saudita que supostamente ameaçou investigadora da ONU é nomeado

Categorias
ÁfricaAnistia InternacionalArábia SauditaÁsia & AméricasEmirados Árabes UnidosÍndiaIsraelMarrocosMéxicoNotíciaOrganizações InternacionaisOriente Médio
Show Comments
Show Comments