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Após dois anos de prisão preventiva, ativista egípcio Alaa diz pensar em suicídio

Alaa Abdelfattah [Twitter]

A família e o advogado de Alaa Abdelfattah, egipcio em prisão preventiva desde 2019, alertaram sobre a vida do ativista estar em perigo, avisando que ele está perto de suicidar-se.

O advogado de Alaa, Khaled Ali, publicou o relato de seu encontro com o ativista no Facebook, afirmando que Alaa avisou sobre sua situação na prisão, de que seus direitos estavam sendo privados e de que não aguentava mais. “Estou em uma situação muito ruim, não conseguirei continuar nesta prisão. Eu cometerei suicídio, diga a Laila Soueif para receber condolências por mim”, teria dito o prisioneiro, pedindo que o advogado mandasse suas condolências para sua mãe, Laila. “Ele repetiu a frase mais de uma vez, com tristeza e raiva”, disse Khaled.

O advogado afirmou que antes de despedir-se, seu cliente repetiu o desejo e disse que “se quisesse morrer, seria suicídio e salvação”.

“Pela primeira vez encontro Alaa nesse estado psicológico que o leva a nos avisar de seu suicídio, e eu conheço Alaa de perto. Ele não mente, não foge, apenas diz o que vai fazer”, disse Khaled Ali.

“Apelo ao Ministério Público e a todos os envolvidos com as condições carcerárias e responsáveis ​​pela ativação da estratégia nacional de direitos humanos para que transfiram rapidamente Alaa da uma prisão de segurança máxima 2, especialmente porque existe uma rixa entre Alaa e a administração penitenciária após a apresentação de um relatório denunciando a tortura feita contra ele ao entrar na prisão”, pediu o advogado. “Apelo a eles para que os prisioneiros possam exercer seus direitos, que liberem a entrada de livros, rádio, acesso à biblioteca prisional e a prática de todas as formas de vida pública dentro da prisão, de acordo com os regulamento. Apelo também para que permitam a entrada de um consultor médico do Centro El Nadeem para se reunir com Alaa, e peço uma investigação dos fatos que ele mencionou”.

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“Alaa está em perigo iminente”, diz a declaração da família, publicada pela sua irmã

Mona Seif. “Sua saúde mental está falhando após dois anos de cuidadoso planejamento e cruel implementação pelo Ministério do Interior e Segurança Nacional, e ele enviou uma mensagem a sua mãe para começar a receber condolências por sua morte”!

“Sua vida está em perigo, em uma prisão que opera completamente fora do espaço da lei e em total desrespeito a todos os oficiais, principalmente o Procurador Público, o Ministro do Interior, o Ministro da Justiça e, claro, o Presidente”.

Alaa está detido na prisão de segurança máxima Tora 2 há quase dois anos, o tempo máximo que alguém pode ser detido em prisão preventiva no Egito.

Ele foi detido em setembro de 2019 como parte de uma prisão em massa de jornalistas, ativistas, ex-políticos e detentos políticos por volta da época do chamado de protesto do denunciante Mohammed Ali.

Alaa só tinha saído da prisão por seis meses após cumprir uma pena de cinco anos de prisão por protestar sem autorização.

Pouco depois de sua prisão, Alaa foi despido, vendado, espancado e abusado verbalmente. Ele foi mantido em uma cela com pouca ventilação e impedido de comprar comida e água na cantina da prisão.

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De acordo com sua irmã Mona Seif, que publicou a declaração no Facebook, sua mãe Laila foi à prisão de Tora no domingo para entregar suprimentos e cartas a Alaa, mas foi informada pelo oficial da prisão que não havia nenhuma carta dele.

No dia seguinte, Alaa deveria comparecer ao tribunal para uma revisão de sua custódia, mas não foi autorizado a comparecer à sessão.

Ele disse a seus advogados que houve violações contínuas contra ele e que ele foi alvo do oficial de segurança nacional responsável. Embora ele tenha feito inúmeros relatórios e reclamações, ninguém respondeu.

A declaração dizia que as violações contra os prisioneiros aumentaram nos últimos meses e contra Alaa em particular, depois que ele reclamou sobre alguns dos funcionários da prisão.

Mona Seif publicou que tentou reclamar sobre as condições ilegais da prisão de seu irmão, mas foi ignorada pelo chefe da autoridade prisional.

“Acabamos de encontrar um oficial, andando por aí com guarda-costas. Ele se recusou a falar comigo e me disse que meu problema não diz respeito a ele”, contou ela. “Eventualmente ele disse que falaria comigo quando saísse, mas recusou-se a revelar seu nome. Depois que ele saiu eu descobri que ele é o ministro assistente, ele é o chefe da autoridade prisional! Como é que as condições ilegais da prisão de Alaa Abd El Fattah, que o levaram a pensar em suicídio, não diz respeito a ele!”

Em março, um tribunal egípcio condenou Sanaa Seif, irmã de Alaa, a um ano e meio de prisão.

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