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Egito proíbe a entrada de livros sobre a Irmandade Muçulmana em mesquitas

Uma mulher fala ao celular enquanto escolhe uma seleção de livros no histórico mercado de livros al-Azbakeya, no Cairo, no centro do Cairo, em 16 de janeiro de 2019 [Mohamed El-Shahed/AFP/Getty Images]

O Ministério de Dotações do Egito anunciou que evitará que livros sobre extremismo e a Irmandade Muçulmana entrem nas mesquitas nos próximos 15 dias.

Todos os livros sobre este assunto que já estiverem lá serão removidos. O ministro de Doações, Mokhtar Gomaa, examinará as publicações nas bibliotecas das mesquitas e removerá quaisquer livros ou revistas com “ideologia extremista” ou que pertençam a um “grupo extremista”, explicou o ministério.

Outro oficial apelou às mesquitas e aos centros islâmicos para “purificar” as bibliotecas das publicações da Fraternidade.

“Qualquer livro de autoria de um salafista ou membro da Irmandade Muçulmana ou do Gamaa Islamiya será removido”, disse o subsecretário do ministério, Gaber Tayee.

Os imãs foram instados a se comprometerem a buscar permissão da Administração Geral de Orientação Religiosa para qualquer livro que fosse incluído nas bibliotecas das mesquitas, e aqueles que não o fizessem serão punidos.

LEIA: Tribunal da Áustria determina que a Irmandade Muçulmana não é um grupo terrorista

A proibição de livros afiliados à Irmandade Muçulmana nas mesquitas é a última de uma longa linha de políticas que resultaram na repressão sistemática da organização desde a tomada militar do poder em 2013.

Em setembro daquele ano, o regime baniu o grupo e três meses depois declarou-o uma organização terrorista e prendeu altos membros do Gabinete de Orientação e do Conselho Shura, passando depois a membros militares, judiciários, ONGs, meios de comunicação e universidades.

Os membros tiveram seus bens congelados, enfrentam acusações de fazerem parte de uma organização terrorista e foram sistematicamente torturados, além de não receberem atendimento médico junto com outros membros da oposição.

Quem se opõe ao regime é acusado de fazer parte do grupo, mesmo que sejam críticos ferrenhos ou de outra religião.

No final de julho, um tribunal egípcio condenou 24 réus à morte depois de acusá-los de fazer parte da Irmandade Muçulmana e matar policiais.

No mês passado, o governo egípcio começou a implementar uma lei estipulando a demissão de membros da Irmandade Muçulmana de instituições públicas e privadas, com o Conselho Supremo para Universidades os descrevendo como leais a grupos terroristas.

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